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Luca Argel: as instituições portuguesas devem «pedir desculpas» pelo passado colonial

O AbrilAbril entrevistou o músico Luca Argel por ocasião do lançamento do seu novo álbum, Sabina. Falou-se de música e da necessidade de haver mais espaço para os artistas que trazem mensagens contestadoras.

Luca Argel 
Luca Argel CréditosVera Marmelo

Luca Argel, dez anos em Portugal. Vieste para estudar literatura, na Universidade do Porto, mas foi cá que a música se tornou a tua actividade profissional. E tens colaborado com artistas portugueses e de outras proveniências, residentes em Portugal. Algumas pessoas conheceram-te quando um vídeo em que comentavas o tratamento que os comentadores do Governo Sombra davam à sanfona se tornou viral. Como é que resumias esta década em que te tornaste mais um entre os tantos excelentes embaixadores da música brasileira em Portugal?

Para mim foi uma década de renascimento. Eu comecei uma vida completamente diferente da que eu tinha no Brasil. Foi uma construção de 10 anos que me levou para um lugar que eu não imaginava quando cheguei. Para mim, pessoalmente. Depois o mundo todo também se transformou muito nessa década. O Rio de Janeiro já é outra cidade. Eu vou para o Rio de Janeiro e já não reconheço muitas coisas. Vejo que muitas coisas sumiram. E não só coisas físicas. Pensando nas mudanças que aconteceram no Brasil enquanto eu estive fora, eu às vezes tenho um choque de realidade. Eu não tenho televisão em casa. Às vezes eu quero assistir a alguma coisa na televisão brasileira. Esse ano foi o Mundial. Eu queria assistir alguns jogos da Copa, mas eu queria assistir a emissão do Brasil, porque eu gosto mais dos comentadores do Brasil do que os de Portugal. Então vou à internet procurar a emissão das televisões brasileiras. Mas depois há os intervalos comerciais. E aí é que eu noto como o país todo mudou: a linguagem de publicidade, audiovisual, as referências, quem são os famosos da época, quem faz as publicidades... eu já não reconheço nada, e é um choque.

E entretanto és português também, não é?

E agora também sou português, é outra coisa. Sou um luso-brasileiro oficialmente.

E o vir para Portugal foi para estudar literatura, para estudar uma perspectiva feminista da obra do Vinicius de Moraes?

Isso aconteceu já depois de um ano e pouco. Eu não cheguei a Portugal com essa intenção. Eu sabia que queria trabalhar literatura também, mas como eu não tenho formação nenhuma em literatura – não tinha na altura, a minha formação é em música –, eu achava que podia não conseguir acompanhar um curso de mestrado em Letras. Então resolvi fazer um curso um pouco mais genérico, foi o primeiro em que eu entrei, um curso chamado Criação Artística Contemporânea, que era um curso multidisciplinar, onde pude escolher muitas coisas. Mas eu não gostei muito do curso. Eu fiquei um ano inscrito no curso, só assisti a metade das aulas porque não gostei mesmo. E só aí é que resolvi arriscar e tentar um mestrado em Letras. E, assim, meio que seja o que Deus quiser: não tenho graduação em Letras, mas vou entrar no mestrado e ver o que acontece. E deu super certo. Foi óptimo. Foi a melhor coisa que eu fiz.

E já tinhas publicado livros de poemas nessa altura?

Já, já tinha. Em 2012, meses antes de vir para Portugal, eu publiquei o meu primeiro livro no Brasil. É de 2012 já. E depois os outros que eu publiquei já vivia em Portugal, mas eles saíam sempre no Brasil também. Não todos, mas vários.

E essa tese de mestrado, de certa forma, já introduz uma perspectiva do presente que é a de que temos que olhar o passado, não propriamente julgando o passado, mas para no presente termos um contributo a dar.

Sim. Eu acho que foi aqui em Portugal, por conta dos amigos que eu fiz aqui, que eu comecei a ter mais contacto com a teoria feminista. Eu tinha que escolher um tema para a tese...  As coisas foram acontecendo. Eu tinha sido convidado para participar num seminário de homenagem ao Vinícius de Moraes, porque em 2013 ou 2014 acho que foi o centenário do Vinícius de Moraes. E o que a princípio me interessava nessa figura era o facto de ele ser poeta e compositor. Essa dualidade me interessava muito. Porque eu me identificava muito com esse ofício duplo dele. E escrevi um artigo sobre isso. Para escrever esse artigo, eu tive que reler toda a obra do Vinícius de Moraes. E comecei a encontrar coisas que eu, nas minhas primeiras leituras, ainda adolescente, não conseguia enxergar. Coisas, principalmente, de um machismo muito óbvio e que já não tinha espaço no nosso momento histórico. E comecei a fazer uma lista de excertos da obra do Vinícius de Moraes, em que eu identificava esses problemas. E isso acabou se transformando na minha dissertação de mestrado. A lista foi ficando tão grande que eu resolvi escrever sobre isso. E aí, sim, começa um exercício de pensar a arte a partir de uma perspectiva política e até de propor uma revisão mesmo do que a gente considera canone, tanto na literatura, como na música. O Samba de Guerrilha vem fazer isso a partir da música.

Portanto, já tens três álbuns. E os três têm uma perspectiva muito actual de intervenção. Portanto, não é possível desligar aquilo que é a música que tu escreves e fazes daquilo que é a tua perspectiva de intervenção no mundo. E quem já teve a felicidade de assistir  aos teus concertos sabe que os concertos também são mais do que os álbuns porque são sessões de reflexão e de consciencialização. Uma das canções, das minhas preferidas, é o «Ninguém Faz Festa» e eu queria perguntar-te... «ninguém faz festa porque a vida está fácil», isso quer dizer que a festa e a música são ferramentas imprescindíveis para que a vida se torne melhor para a maioria?

São, com certeza. Essa música é praticamente um tributo ao trabalho de um historiador que eu acompanho há muitos anos, que é o Luiz Antonio Simas. Essa frase «Ninguém faz festa porque a vida está fácil» é uma frase dele... Eu não sei se ele escreveu exactamente assim, mas é roubada dele, que por sua vez roubou de um sambista, do Beto Sem Braço. E isso é uma coisa que eu conto há anos nos meus concertos, antes de tocar essa música. Que perguntaram a ele como era possível que o samba fosse uma música tão alegre e festiva, tendo surgido dentro de comunidades tão pobres, tão maltratadas. E esse sambista, o Beto Sem Braço, responde que o que espanta a miséria é a festa. E isso é o que eu acredito que sintetiza o que o samba representa dentro da sociedade brasileira, não só da cultura brasileira, mas da sociedade brasileira de uma forma geral. E a gente consegue extrapolar isso até para outras sociedades também. Pensando em Portugal, por exemplo, a festa mais bonita que eu conheço aqui é a festa do 25 de Abril. E eu acho uma forma incrível de se renovar uma consciência política democrática, antifascista, de uma forma lúdica, de uma forma atraente para as pessoas. As pessoas não precisam de conhecer profundamente a história do 25 de Abril para entender, mesmo que de uma forma difusa, o que ela representa. A festa ajuda a entranhar na cultura certos valores. E se são valores democráticos, então a festa pode ter uma importância política muito forte também. O samba não tem uma mensagem política tão explícita quanto a «Grândola». Mas também tem um valor simbólico muito grande, muito representativo do que é a cultura negra no Brasil, do que é a trajectória da população negra no Brasil, todas as estratégias de sobrevivência, de afirmação política das comunidades que inventaram o samba, elas também podem ser vistas como modelos de acção política. Eu nem digo só de resistência a um sistema opressor, mas de acção, de criação, na verdade. Criação de redes entre pessoas, de dinâmicas comunitárias, de apoio mútuo. O samba reflecte uma realidade que ultrapassa muito a parte musical.

Em relação agora ao novo álbum Sabina que vai sair nestes dias e ao single do lançamento, deixava-te uma pergunta um pouco provocatória. Falas sobre a necessidade de pedir desculpas em relação ao passado colonial português e a necessidade de as instituições pedirem desculpas, mas tu próprio reconheces que esse passado traduz no presente uma série de desigualdades que se mantêm e que se mantêm porque servem a determinados interesses. De que serve as instituições pedirem desculpas se elas, de certa forma, no presente, ainda beneficiam dessa desigualdade que o passado colonial nos deixa?

Na prática, não serve de nada, não tem nenhuma utilidade prática, porque as coisas não mudam magicamente depois de pedirmos desculpas por alguma coisa. Mas esse é um passo, é um primeiro passo simbólico que abre as portas para que se possam fazer outras coisas que aí sim vão ter consequências práticas. Eu acho muito difícil que políticas públicas, políticas que venham das instituições, sejam realmente eficazes se elas não vêm acompanhadas de uma reflexão e de uma autocrítica, de uma revisão do próprio passado dessa instituição. Acho que uma coisa precisa de caminhar junto com a outra e um pedido de desculpas é uma coisa que me parece simples e relativamente fácil.

«Não dói», como diz a canção.

Sim, não dói, já está mais do que demonstrado, academicamente, a pertinência dessa reflexão e dessa crítica. A discussão decolonial já faz parte do debate público pelo mundo todo. É um debate que, em Portugal está relativamente atrasado em relação a outros países, bastante atrasado. E a gente precisa de dar uns empurrões, dar uma acelerada nesse processo. Não sei se um pedido de desculpa seria a primeira coisa a ser feita, mas acho que é uma parte do processo, é uma peça de um puzzle que precisa de ser posta. E acho que hoje ela está ao alcance de Portugal.

E o teu trabalho também pretende agitar nesse sentido, fazer com que as pessoas que te ouvem pensem nessa necessidade?

Sim, pensem sobre isso, falem sobre isso. Eu tenho a certeza que muitas pessoas discordam disso. Já li, já ouvi muitas pessoas falando contra a possibilidade desse pedido de desculpas e discordo completamente delas. Mas acho que o que geralmente acontece quando essa discussão vem à tona é que tem um grupo que não fala nem contra a favor, mas quer colocar panos quentes e silenciar a discussão, porque ela agita muitas águas, gera atritos. Mas eu acho que, pelo contrário, os atritos precisam de acontecer, essa discussão precisa de acontecer, senão não se avança. E eu acho que é inevitável. Não sei quando vai acontecer, mas eu acho que é absolutamente inevitável se Portugal um dia se tornar um país realmente democrático e realmente consciente do que foi o seu passado colonial e de como essa história está completamente conectada com as injustiças que existem hoje. Se Portugal tem uma vontade política de se transformar para melhor, é inevitável que aconteça esse pedido de desculpas e quanto mais cedo acontecer, melhor.

E esse carácter simbólico, por exemplo, faz-me pensar na tomada de posse do Lula, que acabou de acontecer, não é? Que não mostra que as coisas estejam resolvidas no Brasil, mas mostra que há um sentido nesta presidência.

Sim, exactamente. Eu acho que esse exemplo é perfeito. O que foi a passagem de faixa na posse do Lula, de ter ali representado uma boa parte do que é o corpo social brasileiro, aquilo resolve os problemas da desigualdade social no Brasil? Não, na prática não resolve absolutamente nada. Mas passa uma mensagem política muito forte e de certa forma desautoriza as práticas discriminatórias do quotidiano. As pessoas que sofrem da discriminação, elas passam a ter uma referência maior e uma consciência, uma certeza de que aquilo que elas estão sofrendo não é certo e que o Estado brasileiro, a partir daquele momento, já não deve tolerar aquele tipo de prática. Então, acredito que ela se sinta de alguma forma mais motivada ou mais empoderada para reagir a essa discriminação da forma que ela conseguir. E exactamente essa mesma consequência pode vir de um pedido de desculpas. Pessoas que se sentem discriminadas hoje, em Portugal, vendo que o Estado português tem consciência de que essa discriminação existe, reconhece de onde ela vem e tem um gesto no sentido de mudar essa realidade, elas passam a sentir que fazem mais parte dessa sociedade, que podem ser ouvidas, que têm o direito de se colocarem na sociedade portuguesa como agentes, como sujeitos, e não só como objectos de violências. O corpo social como um todo acaba reagindo a esses simbolismos. E mesmo que as instituições na prática não façam nada, o corpo social reage.

Se calhar é por isso que as instituições têm medo da força simbólica de uma decisão dessas, se não têm interesse em que as coisas efectivamente se transformem. Passando um bocadinho mais para a música, quer dizer, isto é tudo a música, mas voltando, tu tens trabalhado com muitos outros músicos em Portugal, portugueses e não portugueses. Achas que esta geração de músicos está à altura da intervenção e do papel que a música teve também no 25 de Abril em Portugal?

A música de intervenção em Portugal não está muito representada, eu acho, hoje em dia no cenário musical português. Tem, é claro, alguns artistas que ainda cultivam... Não sei se pode chamar de um género. Não é bem um género, é mais uma atitude. Noto isso em alguns artistas, mas acho que podia estar mais representado. E o que não falta em Portugal é assunto político para ser discutido, para ser posto em música. Eu gostaria de ver a música de intervenção um pouco mais representada, em tudo, seja nos cartazes de festivais... A gente tem festivais e tem eventos que são mesmo programaticamente voltados para músicas de intervenção. A gente tem uma Festa do Avante!, tem o Festival do Maio, tem alguns eventos que apontam sempre muito para a memória do 25 de Abril. Mas eu acho que mesmo em festivais que não têm no seu conceito nenhuma orientação política, podiam dar também espaço para artistas que trazem mensagens mais contestadoras. Não sei se eu sinto essa falta também porque, realmente, o universo musical em Portugal não é tão grande quanto o brasileiro...

Acabaste de lançar também uma canção com A garota não? E que também tem esse cunho.

Sim, A garota não é uma dessas poucas artistas que carrega mensagens políticas na sua obra toda. Talvez hoje seja, na minha opinião, a mais interessante em Portugal, em actividade, com essa vocação de escrever canções com mensagens políticas de uma forma muito bonita e muito natural. O trabalho dela é extraordinário. Fico muito feliz que ela esteja sendo reconhecida por isso. E que surjam mais «garotas, não».

E o que podemos esperar então do teu álbum, para além deste single de lançamento, «Peça Desculpas, Senhor Presidente»? O que podemos esperar agora destes meses de promoção do álbum?

Esse álbum que vai sair, ele é um projecto que foi chocado dentro do Samba de Guerrilha. Ele é também fruto de uma pesquisa histórica. Ele conta uma história, tem uma protagonista, tem uma narrativa e uma narradora também, assim como o Samba de Guerrilha. Mas o Samba de Guerrilha conta uma história ao longo dos séculos, conta a História com H maiúsculo. O meu próximo álbum, Sabina, conta uma história muito contida. Estou tentando falar dele sem dar muitos spoilers... Ele fala sobre um episódio, um microcosmos de um episódio que, por mais restrito que seja no tempo e no espaço, representa nos seus detalhes muito do que são as relações sociais no Brasil, muito do que é o racismo estrutural no Brasil, do que é a violência policial, privilégio branco, representatividade. Em cada detalhe dessa história, você identifica problemas sociais. E essa história se passou há mais de cem anos. E você identifica problemas que persistem hoje de outras formas, é claro. Mas o trabalho está todo feito no sentido de mostrar esses paralelos e mostrar como, apesar de muita coisa ter mudado, muita coisa também permanece por ser resolvida. E essa história é contada por uma narradora e a gente vai lançar o álbum junto com uma edição em banda desenhada. É a própria materialização da história que eu queria muito que pudesse ser contada com imagens também.

Também já vinha do teu processo com o Samba de Guerrilha de dar força através de vários tipos de expressão artística, não é? Que fazias nos concertos e agora continuas.

Exactamente. E vou continuar fazendo. O Samba de Guerrilha, eu sinto ele como um projecto que nunca se esgota. É impressionante como ele vai dando crias. Ele se materializou num álbum, mas o espectáculo que surgiu a partir desse álbum vai continuar fazendo sentido daqui a dez anos. Eu posso lançar outros álbuns e ele continua fazendo sentido. E eu vou continuar apresentando ele enquanto tiver a possibilidade. Até porque ele não é um álbum autoral. Aquilo são músicas de um repertório tradicional do samba. Tem músicas ali que têm mais de cem anos já também.

Com algumas descobertas, porque tens a canção que a Elis [Regina] cantava que não é como ela cantava exactamente, por ter sido ...

Sim, exactamente. É a versão censurada da música. E o repertório do Samba de Guerrilha é um repertório um pouco... ele não se esgota, ele é um pouco imortal. E ele corre em paralelo aos meus outros projectos e vai continuar correndo e eu acho muito bom que seja assim. O Sabina, ele sai ali de dentro, mas as músicas todas são inéditas, são autorais. É meio que um retorno às minhas composições próprias.

Se calhar deixávamos aqui uma última mensagem que tem a ver com uma outra canção tua de outro álbum que fala do tempo que os jovens perdem a jogar videojogos. Mas sempre que eu a ouço penso que nós, apesar de tudo, não estamos a perder tempo quando nos estamos a divertir e não está tudo perdido. Também perdeste muito tempo a jogar videojogos, provavelmente, e aqui estás a fazer um trabalho muito importante. E portanto a minha pergunta é: que mensagem é que deixamos aos jovens de que precisamos, que jogam videojogos ou que passam muito tempo a fazer scroll nas redes... Que mensagem é que lhes deixamos? Porque precisamos deles, não é?

Sim, claro, deles e de, sei lá, de todos, independentemente da idade. A gente tem uma mania de hierarquizar as actividades, não é? É mais importante você estar estudando do que jogando, é mais importante estar lendo do que brincando. Não sei, principalmente quando a gente é mais novo, o lúdico é muito importante. A gente perde isso quando vai ficando mais velho. Quando eu estava na faculdade tinha um professor, que foi o professor que mais me marcou na minha história, que dava uma série de cadeiras, mas tinha uma que acho que talvez seja das cadeiras mais difíceis no curso, que era a de análise musical. Porque é uma cadeira que você precisa de combinar competências de várias outras, de percepção, de teoria, às vezes até de história da música. E a gente aprendia ali coisas que muito provavelmente não ia usar nas nossas profissões futuras, porque a maioria dali ia ser professor de música, a grande maioria professor de música para crianças, ou professor de música do seu próprio instrumento. Ou mesmo os que se tornaram músicos de palco, de performance. Eu me lembro de pensar nisso, «a gente está aprendendo coisas tão complicadas...» E a gente perguntava para ele, «Para que serve isso? Esse conceito que a gente está aprendendo, para que serve?» Ele dizia, «Não serve para nada. Até o dia que servir.» Então, todas as coisas que a gente faz, seja no âmbito académico ou num âmbito de diversão, a princípio aquilo pode não servir para nada ou pode servir para alguma coisa no futuro, ou pode servir para coisas que a gente nem se dá conta de que está usando aquele conhecimento. E essa música, que você está falando, «Anos Doze», é, de certa forma, um pequeno exemplo de uma coisa que talvez os meus pais achassem que eu estava ali brincando, que aquilo não servia para nada, mas que, anos depois, aquilo me serviu para escrever uma música. Que é a minha música mais ouvida no Spotify...! Então, as coisas que às vezes a gente acha que são completamente inúteis, a gente nunca sabe para que elas podem servir no futuro e como que elas podem atingir outras pessoas.

Muito obrigada. Estamos ansiosos para conhecer agora este novo trabalho e não deixar de ouvir os outros. Agradeço muito pela tua disponibilidade para vires aqui falar aos leitores e ouvintes do AbrilAbril.

Foi um prazer.

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