|Direcção-Geral do Património Cultural

Faltam «recursos humanos e obras urgentes» nos museus nacionais

À margem da apresentação do relatório final do grupo de projecto Museus no Futuro, a Associação Portuguesa de Museologia (APOM) alerta para as situações gravíssimas que afectam o sector.

 Os trabalhadores afirmam que existem condições para resolver os problemas
Os trabalhadores afirmam que existem condições para resolver os problemasCréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

Em declarações prestadas à agência Lusa na quarta-feira, o responsável da APOM, João Neto, insistiu na urgente «consciencialização do Ministério da Finanças para os gravíssimos problemas de falta de recursos humanos e de obras nos museus nacionais». Alerta ainda que, à falta de uma consciencialização sobre as consequências concretas destas lacunas, «o património móvel e imóvel do País está em perigo».

Em pergunta colocada no mesmo dia ao Governo, deputados do PCP denunciaram a falta de condições existentes no museu mais visitado em Portugal. Só este mês «a oficina de conservação e restauro do Museu Nacional dos Coches voltou a ter iluminação, de que esteve privada durante cerca de dois meses, para os seus técnicos poderem trabalhar».

A associação não está sozinha na identificação dos problemas que, ainda este mês, forçaram o Museu Nacional de Arte Antiga a encerrar algumas das áreas da exposição permanente até Setembro. Os investigadores Clara Camacho e José Manuel Varejão, que coordenaram o projecto Museus no Futuro para o Observatório Português das Actividades Culturais, identificaram essa mesma insuficiência do sector.

«A insuficiência de recursos humanos em todas as categorias, especialmente no domínio da vigilância e guardaria, e a necessidade de antecipar com um horizonte mínimo as aposentações de funcionários, proporcionando a contratação imediata de novos trabalhadores para as situações de maior carência, motivam uma intervenção imediata “de emergência”» pode ler-se nas conclusões do relatório.

Destaca-se ainda, do conjunto de 50 propostas emanadas deste documento, «a criação de um novo instituto dos museus, regressando ao antigo modelo de separação relativamente ao património cultural».

A APOM participou ontem, em representação da sua organização, numa reunião das entidades representativas do sector «com a secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, no quadro do contributo das associações para o relatório elaborado pelo Grupo de Museus do Futuro, e a criação de uma estratégia para o sector nos próximos dez anos».

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