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Exposição assinala centenário da grande greve mineira de Aljustrel

Até ao dia 4 de Dezembro, na sede de Aljustrel do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, estará patente uma exposição sobre os «quatro intermináveis meses que os mineiros mantiveram a greve», em 1922.

Mineiros de Aljustrel, patente na exposição <em>Aljustrel - 100 anos, do fundo à superfície </em>
Mineiros de Aljustrel, patente na exposição Aljustrel - 100 anos, do fundo à superfície Créditos

A grande greve mineira de Aljustrel arrancou a 4 de Outubro de 1922, prolongando-se por quatro longos meses, marcando, a nível nacional e internacional, o inverno desse ano. «Para além de uma demonstração de grande coragem e perseverança dos mineiros, a alimentá-la teve a indispensável solidariedade de vastos sectores operários, onde a principal expressão se traduziu no acolhimento de largas dezenas de crianças por famílias solidárias de Beja, Lisboa, Barreiro» e outras zonas do País.

Esta exposição, que pode ser visitada na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM/CGTP-IN) em Aljustrel (no Largo do Mineiro), das 10h às 12h30 e das 14h às 19h (excepto segundas-feira), dá expressão à vontade de um grupo informal de aljustrelenses «que pugnam pela divulgação da história da sua terra», refere a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN), em comunicado.

Aljustrel - 100 Anos, Do Fundo à Superfície, explora todo o processo que culminou na acção de luta, a greve e as suas repercussões, focando-se especialmente na forte repressão e intimidação exercida por elementos da GNR ao longo dos meses da greve, em que as forças policiais «não hesitavam em agredir e atirar disparos para o ar, sempre apoiados pela administração da empresa mineira».

A brutal repressão dos mineiros – o encerramento do sindicato, a interdição do direito de reunião e associação, a prisão de muitos trabalhadores e a fome (manipulada pelas associações patronais) – alimentou movimentos de solidariedade de trabalhadores de todo o país: «além do acolhimento das crianças em diversas casas, os operários também receberam dinheiro dos mineiros das minas de S. Domingos e do Lousal».

A greve terminou no dia 21 de Janeiro de 1923, «com o director da mina a garantir o regresso dos mineiros ao trabalho, sem represálias, embora não tivessem sido atendidas todas as suas reivindicações».

Programa de debates, teatro e cinema documental

O primeiro de quatro debates, a dinamizar no Centro de Documentação de Aljustrel, terá lugar este Sábado, dia 5 de Novembro, às 16h, com o tema «Vida Sindical, Condições de Trabalho, Saúde e Segurança». No dia 19 de Novembro, o debate «Trabalho, Luta e Resistência nas minas de Aljustrel» contará com a presença de José Pedro Soares, presidente da URAP, José Godinho, resistente antifascista e antigo presidente da Câmara Municipal de Aljustrel e Maria da Piedade Morgadinho Faustino, resistente antifascista.

«O Movimento Operário no Alentejo – Passado, Presente e Futuro das Minas de Aljustrel» está agendado para dia 26 de Novembro, com a participação de Manuel Carvalho da Silva, antigo secretário-geral da CGTP-IN e o historiador Paulo Guimarães. Estas sessões encerram no dia 2 de Dezembro, às 20h, com o debate «Minas de Aljustrel: Que Futuro?».

O documentário de João Pedro Duarte e João Luz, de 2015, Mineiros, será exibido às 16h, no dia 12 de Novembro, explorando as questões de trabalho e a identidade das populações de Aljustrel, especialmente as ligadas ao trabalho mineiro, «as suas memórias, perspectivas e horizontes».

No dia 3 de Dezembro será presentada, no Cine Oriental, pela primeira vez em público, a peça de teatro A Mina, do grupo Lendias d’Encantar e actores amadores de Aljustrel. A peça, da autora mexicana Amaranta Osorio, tem como cenário as minas de Aljustrel, tratando «da luta dos mineiros por mais segurança e melhores condições de trabalho», refere a organização da exposição.

O espectáculo musical e artístico a realizar no dia de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, 4 de Dezembro, assinala o encerramento da exposição.

A exposição conta com o apoio do STIM, da Fiequimetal, da União dos Sindicatos de Beja, da CGTP-IN, da Câmara Municipal de Aljustrel, das juntas de freguesia do concelho, da Almina - Minas do Alentejo, da Companhia de Teatro Lendias d’Encantar, da Rádio TLA, do Museu do Aljube, da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), da Festa do Avante! e do Grupo de Estudos do PCP, entre outras entidades.

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