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Diário gráfico e projetos participativos/colaborativos

«Um Toque de Ar Fresco» de Bruno Casanova no Seixal, exposição fotográfica coletiva “REPARA!” em Viseu, coletiva «Linha do Tempo» em Sines e exposições na Galeria Diferença em Lisboa.

Exposição «Um Toque de Ar Fresco» de Bruno Casanova na Galeria Municipal de Corroios, Seixal, até 16 de outubro
Exposição «Um Toque de Ar Fresco» de Bruno Casanova na Galeria Municipal de Corroios, Seixal, até 16 de outubroCréditosBruno Casanova

A exposição de diários gráficos de Bruno Casanova1 «Um Toque de Ar Fresco», estará disponível para ser visitada na Galeria Municipal de Corroios2, até 16 de outubro. Nesta exposição poderemos encontrar mais de 20 desenhos, que o artista assume como «rabiscos de eleição de uma altura pré-covid (2014 a 2020), onde o caderno e caneta se encontravam na mochila quase obrigatoriamente – senão o ar fresco não era a mesma coisa. Há sítios estratégicos para a fotografia perfeita, mas quando é para traduzir para desenho, a estratégia tem que ser diferente. A iluminação, a quantidade de pessoas, quanto tempo resta e até o espaço para os cotovelos são fatores essenciais para a tradução correr bem.»

Bruno Casanova acrescenta ainda, que o «desenho final fica fechado no arquivo como se de um álbum de fotografias se tratasse. A diferença? Num desenho, o artista não aprecia mais pelo seu resultado ou pelo seu desempenho, mas pelo processo e pelo registo por mais simples ou comprometedor que seja.» Pode consultar o catálogo da exposição.

Exposição fotográfica coletiva “REPARA!”na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva em Viseu Créditos / Quinta Oficina

A Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva3 em Viseu recebeu a partir 10 de setembro a exposição fotográfica coletiva “REPARA!”, um projeto artístico de fotografia participativa, promovido por Cristina Nogueira e com Duarte Belo como responsável pelo design. O projeto foi desenvolvido com crianças e mulheres das comunidades ciganas do Bairro da Balsa e do Bairro de Paradinha. Nesta exposição podemos ver fotografias da Maisa, da Telma, da Tainara, do Isac, Mário, do Paulo, do Rafael e do Jordanes, estando disponível para ser visitada ao longo das próximas semanas.

A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza desenvolveu este ano a Semana da Interculturalidade com o apoio e parceria do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), uma iniciativa que se realiza anualmente desde 2014 com o objetivo de «sensibilizar os cidadãos para a necessidade de uma sociedade intercultural, que tenha presente os valores da solidariedade, da não descriminação, igualdade, respeito pela diferença e pela diversidade, de forma a garantir-se uma cidadania mais inclusiva e igualitária». No distrito de Viseu realizaram-se diversas atividades para assinalar o Dia Internacional das Comunidades sendo realizado neste contexto, entre elas, o «Projeto Repara! – A fotografia como método participativo das comunidades ciganas» no dia 8 de abril. Este projeto realizou-se em online, através da plataforma Zoom, com o objetivo de refletir sobre a intervenção social junto das comunidades ciganas de Viseu com recurso à fotografia como método participativo no processo de inclusão social. O projeto Repara! foi financiado pelo Município de Viseu, Programa Criar, Viseu Cultura 2020 e implementado em parceria com o núcleo regional de Viseu da EAPN Portugal4 e Cáritas Diocesana de Viseu.

Obra de José Loureiro, Sem título, 2003. Óleo sobre tela, 190 x 180 cm. Exposição «Linha do Tempo» no Centro de Artes de Sines, até 10 de outubro CréditosCAS /

O Centro de Artes de Sines5 apresenta, até 10 de outubro de 2021, a exposição «Linha do Tempo». Esta exposição integra 67 obras da Coleção António Cachola, estando representados 35 artistas: Ana Mansos, Ana Péres-Quiroga, Ana Rito, Augusto Alves da Silva, Edgar Martins, Fernão Cruz, Gil Amourous, Hugo Guerreiro, Ilda David, Isabel Simões, João Galrão, João Jacinto, João Paulo Serafim, João Queiroz, Jorge Molder, José Loureiro, José Pedro Croft, Luís Campos, Luís Palma, Marcelo Costa, Maria Lusitano, Marta Soares, Miguel Ângelo Rocha, Nuno Sousa Vieira, Paulo Catrica, Pedro Calapez, Pedro Casqueiro, Pedro Gomes, Rui Chafes, Rui Neiva, Rui Serra, Sofia Areal, Susana Guardado, Vasco Araújo e Vhils.

Sobre a exposição, o curador, Ricardo Estevam Pereira, escreve:

«A obra artística não pode fugir ao tempo em que é criada. O autor está fatalmente mergulhado numa realidade que, desde o mundo das ideias ao dos materiais que encontra à sua disposição, lhe molda os gestos e as marcas que eles nos deixam. Mesmo quando se encerra no seu universo interior e recusa os valores do seu tempo, essa mesma recusa é um gesto inequívoco de reação a um momento da História. Para muitos criadores, esse destino é particularmente consciente, desenvolvendo o seu trabalho como uma reflexão sobre as principais questões do tempo presente, do seu acelerar vertiginoso ou dos momentos em que se suspende no vazio. Das suas sínteses emerge o drama do Homem no seu labirinto, procurando o fio de Ariadne que o poderá levar à felicidade, em busca da eternidade, do abrigo, do espaço de encontro e diálogo com o outro, aparentemente impossível na imensidão das cidades de betão.

Nosso Tempo está assim documentado, das mais diversas formas, nas 67 obras que integram esta exposição e que foram todas produzidas nos últimos 30 anos. A esmagadora maioria delas data mesmo já do século XXI, o que torna esta uma ocasião privilegiada para procurar algumas das linhas de força das pesquisas plásticas deste novo século. Ao pô-las em diálogo procuramos mostrar que o Tempo não é apenas o intervalo medido mecanicamente por um relógio, é uma realidade, acima de tudo, sentida e equacionada pelo ser humano, das mais variadas formas.»

A exposição «Linha do Tempo – Exposição Coleção António Cachola» é organizada pela Câmara Municipal de Sines, com a parceria da Câmara Municipal de Elvas e do Museu de Arte Contemporânea de Elvas/Coleção António Cachola. Esta coleção de arte contemporânea está sediada em Elvas, e é uma coleção fundamental para se compreender o que os artistas portugueses têm criado nos últimos 40 anos.

Exposição «Voo Duplo» de Maria Ribeiro e Francisco Trêpa na Galeria Diferença em Lisboa, até 16 de outubro CréditosGaleria Diferença /

Na programação da Galeria Diferença6, em Lisboa, podemos registar duas exposições, «Voo Duplo» de Maria Ribeiro e Francisco Trêpa e «Cyan» de Isabel Dimas, que poderão ser visitadas até 16 de outubro.

Como nos apresenta o texto de Carolina Pelletier Fontes «em Voo Duplo observamos o resultado e os vestígios de mais de um mês de trabalho colaborativo entre dois artistas em formato de residência onde são exploradas linguagens escultóricas e de performance audiovisual (…) A Maria Ribeiro e o Francisco Trêpa trabalham juntos a dimensão material do reflexo, que pode atuar como intermediário entre lugar e espectador. Com a dualidade dos espelhos, tanto no exterior como no interior da Galeria, o seu carácter de instalação alerta-nos para as particularidades invulgares estruturais deste lugar tão carregado de história.» Na exposição «Cyan» são apresentados cianótipos de Isabel Dimas, onde, segundo o texto de Manuel Rodrigues, «divagam imagens surtidas por entre imaginários: vagueiam como registos fósseis, ou evocando linhas galácticas, ou redes neurais, filamentos de partículas sub-atómicas ... , ou como meras folhas raízes poeiras e areias, mais acessíveis  e ordinárias, contudo, aqui, os gestos para obter novas impressões , não são dirigidos a seres  iluminados ( que revelarão o seu instante e presença pela luz ), mas a sombras por  fixar (que se irão revelar, à luz, pelo tempo, variável)».


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Bruno Casanova, 28 anos, é filho e neto de artistas. Estudou Design Gráfico na Escola Secundária Artística António Arroio, depois foi para Inglaterra estudar Belas Artes para a University for Creative Arts, os cadernos continuaram paralelamente com os estudos e Urban Sketching tornou-se – cada vez mais – um termo familiar na linguagem da arte e um movimento. De volta a Portugal, o ar é fresco e entre esplanadas e festivais de música, de terraços a praias, qualquer vista para a nossa Ponte 25 de Abril, Bruno não dispensa um caderno, uma caneta e uns minutos ao sol.
  • 2. Galeria Municipal de Corroios. Rua Cidade de Leiria, 2855-367 Corroios. Horário: De terça a sábado, das 15 às 19 horas.
  • 3. Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva. Rua Aquilino Ribeiro, Nº10 3500-288 Viseu. Horário: segunda a sexta-feira, 8h30 - 19h00.
  • 4. A EAPN - European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza) é a maior rede europeia de redes nacionais, regionais e locais de ONGs, bem como de Organizações Europeias ativas na luta contra a pobreza. Fundada em 1990, em Bruxelas, a EAPN está atualmente representada em 31 países, nomeadamente em Portugal desde 1991, sediada no Porto, estende-se a todo o país através de 18 Núcleos Distritais. Ver artigo em AbrilAbril: «Cerca de 4,5 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema em Espanha»
  • 5. Centro de Artes de Sines. Rua Cândido dos Reis, 7520-177 Sines. Horário: Segunda a sábado, 10h00-18h00 (Centro de Exposições: 12h00-18h00).
  • 6. Galeria Diferença. R. São Filipe Neri 42, 1250-227 Lisboa. Horário: 3a a 6a das 14.00 às 19.00 e ao Sábado das 15.00 às 20.00.

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