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Trabalhadores da Cofaco não aceitam despedimentos

Os trabalhadores da conserveira Cofaco, na ilha do Pico, deslocaram-se esta quarta-feira à ilha do Faial para participar num plenário, com a presença do secretário-geral da CGTP-IN, tendo sido depois entregue uma moção em defesa dos seus postos de trabalho ao Governo Regional dos Açores.

Manifestação à porta do Governo Regional dos Açores. Nela, foi entregue a moção contra o encerramento da Cofaco ao Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro
Manifestação à porta do Governo Regional dos Açores. Nela, foi entregue a moção contra o encerramento da Cofaco ao Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco CordeiroCréditos

A 9 de Janeiro, os 180 trabalhadores da Cofaco na Madalena (ilha do Pico) foram informados de que a empresa, dona da marca «Bom Petisco», iria encerrar a fábrica e proceder ao despedimento colectivo de todos os trabalhadores que ali laboram. A empresa só vai manter os trabalhadores até Abril, altura em que arrancam as obras para a construção de uma nova unidade industrial.

Hoje, mais de 100 trabalhadores da Cofaco apanharam o barco rumo à cidade da Horta, na ilha do Faial, tendo realizado aí um plenário, com a participação do secretário-geral da CGTP-IN, sobre o encerramento da fábrica e o futuro dos seus postos de trabalho.

No plenário de trabalhadores, organizado pela União de Sindicatos da Horta (USH/CGTP-IN), os trabalhadores demonstraram um profundo desagrado com o despedimento mas também determinação em resistir e a defender os seus postos de trabalho e direitos. 

«Resistir ao despedimento»

Na moção aprovada, os trabalhadores rejeitam o encerramento da fábrica e o fim dos seus postos de trabalho, alertando para os «impactos que terá o desaparecimento de cerca de 300 postos de trabalho directos e indirectos».

Uma intervenção urgente, consideram os trabalhadores, que revelam a sua insatisfação com a incerteza do seu futuro e das suas famílias, mas também com o futuro da ilha do Pico.

Estes exigem que o «Governo Regional faça tudo o que estiver ao seu alcance para travar este atentado contra a produção regional» e que encontre alternativas ao fecho que «preservem o emprego, os direitos dos trabalhadores e a economia» dos Açores.

«Salvaguardar o emprego e os direitos dos trabalhadores da Cofaco não é apenas justo, como também o único rumo certo, quer do ponto vista social, quer económico para o concelho da Madalena», lê-se na moção, que frisa «uma perda de 4,3% na população activa da ilha» e de «8% no concelho da Madalena», dados «muito significativos numa ilha com pouco mais de 14 mil habitantes».

Ao falar aos trabalhadores, Arménio Carlos definiu todo este processo de encerramento e despedimento colectivo como «nebuloso» e exigiu maior responsabilidade, tanto da empresa como do Governo dos Açores.

«Uma empresa que recebeu dez milhões de fundos comunitários não pode anunciar o seu encerramento sem contrapartidas», reiterou Arménio Carlos, em declarações à imprensa, que afirmou que «a contrapartida é a manutenção do emprego e a necessidade de apostar na indústria conserveira».

O secretário-geral da CGTP-IN apelou ainda aos trabalhadores para que «não se deixem derrotar» e reiterou a importância da mobilização de todos na luta contra o encerramento da Cofaco e o despedimento colectivo.

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