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Trabalhadoras da Cofaco denunciam discriminação

As trabalhadoras da Cofaco, dona da marca Bom Petisco, cumpriram na segunda-feira uma greve de 24 horas, por melhores condições de trabalho e em solidariedade para com as funcionárias da ilha do Pico.

Concentração de trabalhadoras da Cofaco, em protesto contra as desigualdades
Concentração de trabalhadoras da Cofaco, em protesto contra as desigualdadesCréditos / SABCES

O protesto decorreu anteontem, na conserveira de Rabo de Peixe, nos Açores, tendo reunido cerca de uma centena de trabalhadoras junto à entrada da fábrica, em protesto contra a discriminação de género e em solidariedade contra o despedimento colectivo pela Cofaco na ilha do Pico.

Na concentração, as trabalhadoras exibiram cartazes e gritaram palavras de ordem tais como «Cofaco escuta, trabalhadoras estão em luta», «Homem ou mulher, igualdade é o que se quer» e «Igualdade, tem que ser realidade»

A paralisação obteve uma adesão quase total das trabalhadoras, com apenas nove pessoas a entrar na fábrica, afirma o Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES/CGTP-IN).

 

Em comunicado, o SABCES descreve que, em Rabo de Peixe, «cerca de 90% dos trabalhadores naquela unidade são mulheres, das quais 85% não têm a possibilidade de progredir na carreira profissional», com a administração da Cofaco a recusar «disponibilidade em negociar».

 

Em declarações aos jornalistas, Maria do Carmo Andrade, trabalhadora e dirigente do SABCES, afirmou que o «nosso primeiro ponto de situação é a nossa progressão na carreira profissional. Entramos como manipuladoras [categoria profissional] e chegamos à idade da reforma sempre igual».

 

Já o sindicato afirma que «a Cofaco não é uma empresa qualquer, é a dona da marca Bom Petisco, uma das marcas mais conceituadas a nível nacional e mesmo internacional, e por isso mesmo tem de ser um exemplo também do ponto de vista social», reiterando estar disposto a intensificar a luta e a recorrer aos tribunais.

 

Caso a Cofaco mude de postura, o SABCES afirma estar disponível para negociar de imediato com a empresa, no sentido de «rever a categoria profissional de manipuladora e introduzir diferente níveis, valorizando e dignificando assim as suas carreiras» no acordo de empresa.

 

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