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Sindicatos da Polícia Judiciária mantêm greve para Fevereiro

Após a «reunião inconclusiva» com a tutela, os sindicatos da Polícia Judiciária decidiram manter a greve convocada para 4 a 12 de Fevereiro, contra a falta de meios e de valorização dos quadros.

CréditosMÁRIO CRUZ / LUSA

A decisão foi comunicada hoje pelas três estruturas sindicais que representam os investigadores criminais, seguranças, técnicos e pessoal administrativo da Polícia Judiciária (PJ), após a reunião com a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

«Achamos que não há motivos suficientes para desmarcarmos a greve», disse à agência Lusa Ricardo Valadas, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ.

Segundo a mesma fonte, a reunião foi produtiva, tendo acabado com «algumas expectativas, mas sem nada em concreto». A ministra da Justiça assumiu o compromisso de apresentar para a próxima semana o projeto de lei orgânica e de estatutos das três carreiras da PJ.

Em comunicado conjunto, as três estruturas sindicais apresentam um conjunto de reivindicações que consideram «justas e urgentes»: a revisão do Estatuto das Carreiras e da Lei Orgânica da Polícia Judiciária; uma resposta à crónica falta de recursos humanos e materiais, com profundas consequências; a reposição dos escalões que foram congelados; a aplicação da fórmula correcta de cálculo dos suplementos de risco e turno, bem como as quantias em dívida desde 2010.

Falta de investimento estatal limita potencial da PJ

«Não há um plano de contratação que substitua as saídas dos quadros da PJ ‐ não entra um homem para a investigação há cinco anos. Os 120 inspectores em formação foram anunciados mais de 10 vezes em todos os discursos de início do ano judicial. A média de idades ronda os 50 anos», lê-se ainda no comunicado.

O problema foi reiterado por Ricardo Valadas, que lembrou que a PJ tem défice de pessoal, havendo actualmente 1100 inspetores para um quadro de 2500 e que «não tem havido investimento estatal na investigação criminal» há longos anos.

«Somos uma carreira muito mais sacrificada porque a única valorização que temos é a subida de escalões, que está congelada», frisou Ricardo Valadas, acrescentando que as pessoas estão desmotivadas e que muitas abandonam a polícia para ir trabalhar para o sector privado.

Segundo o dirigente, um inspector que acabe de ingressar nos quadros da PJ recebe o mesmo vencimento que um elemento com 10 ou 20 anos de serviço.

As três associações sindicais da PJ marcaram sete dias de greve para o início de Fevereiro,  em regime de rotatividade por cada estrutura, de três horas por dia, entre 4 e 12 de Fevereiro. Até 5 de Março decorrerá ainda uma greve ao trabalho de prevenção e às horas extraordinárias.


Com agência Lusa

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