O futuro do sector da arquitectura, onde a precariedade e as baixas remunerações são prevalentes, deve assentar na «estabilidade, na valorização profissional e na melhoria efectiva das condições de trabalho», defende, em nota a que o AbrilAbril teve acesso, o Sindicato dos Trabalhadores em Arquitectura (SINTARQ). O pacote laboral do Governo PSD/CDS-PP mais não faz do que reforçar o paradigma dos «salários baixos, horas extra não remuneradas» na arquitectura, introduzindo «falsas ideias de flexibilidade que mais não são do que o mascarar de vínculos precários e da falta de progressão na carreira».
O chavão da flexibilização, usado e repetido, feito mantra, por todos os proponentes de todas as alterações à legislação laboral desde 2003, ignora por completo a «qualidade do trabalho produzido, desvaloriza a experiência e o conhecimento dos trabalhadores e transforma-os num recurso descartável, causando um desequilíbrio ainda maior de forças entre trabalhadores e empregadores».
A justeza das reivindicações de quem trabalha está espelhada no «vasto número de estruturas representativas de trabalhadores que se sabe já terem subscrito a convocação desta Greve Geral», revelando a «transversalidade» do combate contra as mais de 100 alterações à Lei laboral no mundo do trabalho.
«Por trabalho digno e com direitos, pela valorização do trabalho em arquitetura», o SINTARQ anuncia a sua adesão à greve geral de dia 3 de Junho, convocada pela CGTP-IN, e exorta todos os trabalhadores do sector a aderir ao protesto contra o carácter «vil» da proposta do Governo. No último inquérito realizado pelo SINTARQ, com 597 respostas de arquitectos validadas, é identificado um padrão insustentável no sector: 80% «afirma que o trabalho teve consequências negativas na sua saúde mental». Destes, a maioria faz frequentemente horas extra em horário noturno ou fora do horário estipulado, 55%.
O pré-aviso de greve para o sector já foi entregue.
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