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Motoristas das plataformas elegem delegados sindicais

A grande desregulamentação do sector já levou a centenas de sindicalizações. A organização é a chave para se ultrapassarem os problemas a que estes trabalhadores estão sujeitos.

CréditosMário Cruz / Lusa

Os motoristas das plataformas digitais reuniram-se ontem em plenário para eleger delegados sindicais e decidir as acções a desenvolver para conseguir melhorar a regulação do sector, reivindicação que defenderam terça-feira numa audição parlamentar.

«Fomos ouvidos na comissão parlamentar de trabalho, reafirmámos as nossas reivindicações, agora vamos ver se resulta nalguma coisa», disse à Lusa Fernando Fidalgo, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP/CGTP-IN).

Fernando Fidalgo coordena o grupo de trabalho criado no STRUP para apoiar os motoristas das plataformas digitais, que tem tido encontros com o Governo e com as entidades reguladoras do sector.

O grupo de trabalho compareceu na comissão parlamentar, esta terça-feira, acompanhado pelo coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), José Manuel Oliveira.

A Fectrans e o STRUP têm acompanhado o sector do transporte em veículo descaracterizado a partir de plataforma electrónica e conseguiram que mais de uma centena de motoristas se sindicalizassem.

Segundo Fernando Fidalgo, as fichas de sindicalização estão ainda a ser verificadas, mas «serão entre 150 e 200 os motoristas TVDE que se sindicalizaram» nesta estrutura da CGTP-IN.

Para além da eleição dos delegados sindicais, o plenário decidiu sobre iniciativas a desenvolver antes de o Livro Verde sobre o futuro do Trabalho e da directiva comunitária ficarem fechados, disse o sindicalista.

No início de Novembro de 2020, estes motoristas fizeram a primeira concentração de protesto e aprovaram o caderno reivindicativo elaborado pela Fectrans e entregue ao Governo.

Segundo Fernando Fidalgo, as plataformas digitais não têm qualquer tipo de vínculo com os motoristas, só estabelecem contrato de prestação de serviço com os chamados parceiros, a quem exigem que se constituam como empresa, podendo ser eles próprios motoristas ou terem vários carros e motoristas ao dispor.

Por isso, o caderno reivindicativo defende que seja aplicado a todos os motoristas do sector TVDE uma regulamentação colectiva de trabalho, que deveria ser o mesmo contrato coletivo do sector do transporte ligeiro de passageiros.


Com agência Lusa

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