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Mobilização dos trabalhadores traz avanços no sector do comércio e serviços

Em várias empresas e instituições, é a luta dos trabalhadores que impõe aumentos salariais e a aplicação de outros direitos. Quando o patronato pretende retirá-los, a denúncia do sindicato é fundamental.

Segundo o CESP, cerca de 40% dos trabalhadores do sector recebem salários inferiores a 600 euros e 80% abaixo dos 640 euros
Segundo o CESP, cerca de 40% dos trabalhadores do sector recebem salários inferiores a 600 euros e 80% abaixo dos 640 eurosCréditos / AbrilAbril

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP/CGTP-IN) dá nota de que está em negociações com a Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF) relativamente ao contrato colectivo de trabalho (CCT), que abrange os trabalhadores do comércio retalhista do distrito de Coimbra.

Lembrando que o CCT foi actualizado em 2019, o sindicato afirma que já nessa altura era intenção da associação patronal retirar alguns direitos aos trabalhadores.

Depois de nove anos sem aumentos salariais, os trabalhadores deparam-se actualmente com mais de metade da tabela salarial absorvida pelo salário mínimo nacional. Ainda assim, a ACIFF coloca como exigência para a negociação a redução do rendimento dos trabalhadores.

O CESP não aceita que o trabalho nocturno seja considerado apenas a partir da meia-noite, e lembra que este é mais penoso, para além de dificultar ou até impedir a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar.

Minipreço propõe aumentos

A luta dos trabalhadores da empresa Dia/Minipreço intensificou-se e obrigou a administração a propor um aumento salarial para todos já em 2021, refere o CESP em comunicado.

Mas a proposta de aumentos de 30 euros, a aplicar em três fases, até final do ano, não é mais do que a antecipação em um mês da aplicação do salário mínimo, que vai ocorrer em Janeiro de 2022, refere a organização sindical.

As lutas desenvolvidas no mês de Maio e Junho deram um sinal da instatisfação destes trabalhadores, com adesões expressivas à greve e muitas lojas fechadas por todo o País, pelo que o sindicato garante que vai insitir na mobilização pela concretização de aumentos salariais com valores que dignifiquem as carreiras e a antiguidade de todos.

Negociação concluída na GesLoures

Para o CESP, o acordo alcançado reforça os direitos dos trabalhadores mas poderia ter ido mais longe. Por isso, o sindicato apela à sindicalização e à unidade dos trabalhadores da GesLoures, por forma a aumentar a força negocial.

Ainda assim, foram garantidos aumentos salariais para todos os trabalhadores, num mínimo de 40 euros, o aumento no subsídio de refeição de 0,83 euros por dia, para os 7,15 euros, o que equivale ao subsídio da função pública, acrescido de 50%, e a retirada de cláusula cuja progressão dependia de habilitações especificas.

A redução do horário semanal das 38h para as 35h, a criação de novos escalões com diferenciação de 45 euros, por cada quatro anos de antiguidade foram outras das conquistas.

Comissão paritária é artimanha para impedir a progressão no Instituto S. João de Deus

À revelia dos trabalhadores, esta IPSS realizou, no passado dia 14 de Abril, em todos os seus estabelecimentos, a eleição de representantes dos trabalhadores para constituição de uma «comissão paritária».

O representante dos trabalhadores supostamente eleito trata-se de um quadro de chefia, pelo que estes questionam a legitimidade do acto eleitoral, refere o CESP em nota.

De uma reunião pedida pelo sindicato resultou que «a constituição da comissão paritária tem como único objectivo impedir a progressão de carreira dos trabalhadores», através da avaliação de desempenho, denuncia a organização.

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