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Greve dos mestres da Soflusa arrancou com adesão de 100%

A greve parcial dos mestres da Soflusa, empresa responsável pelas ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, regista esta quinta-feira uma adesão total, em defesa da contratação de mais pessoal.

A supressão de carreiras por falta de navios tem sido o quotidiano destas empresas
CréditosJosé Sena Goulão / Agência Lusa

Segundo Carlos Costa, dirigente da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), todos os mestres da Soflusa aderiram, hoje de manhã, à paralisação parcial de três horas por turno, que se prolonga até ao fim da noite de sexta-feira.

A greve dos profissionais da Soflusa é motivada pela falta de pessoal que, apesar dos alertas sindicais que remontam a 2015, continua por solucionar, agravando-se diariamente. O elevado número de horas extraordinárias cumpridas – num total de 4000 só em 2018 –, de forma a assegurar o normal funcionamento dos serviços, tem conduzido os trabalhadores a «uma exaustão física e psicológica».

Durante a paralisação do primeiro turno, das 5h às 9h30, todas as ligações entre o Barreiro e Lisboa foram suprimidas. A este protesto junta-se também a greve às horas extraodinárias na Soflusa, com reivindicações idênticas, até 31 de Dezembro.

Por sua vez, José Encarnação, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro, afirmou à RTP que, por volta das 9h30, chegaram a estar cerca de 2000 pessoas a aguardar a ligação no terminal.

A 15 de Maio, perante um comunicado da administração da Soflusa que procurava culpar os trabalhadores pelos problemas na travessia do Tejo, a estrutura de utentes defendeu que os problemas são «inteiramente da responsabilidade» dos sucessivos governos e da empresa, que «não tomaram, em devido tempo, as medidas de renovação da frota e do necessário aumento do quadro de pessoal».

Promessas de última hora não convenceram mestres

Na quarta-feira, depois de uma reunião entre os sindicatos e o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, a Fectrans anunciou que as negociações vão ser reabertas. Contudo, não foi o suficiente para pôr termo à greve.

«As negociações não foram reabertas para a questão específica. Houve uma reabertura, uma espécie de pré-conclusão sobre o que já se tinha acordado sobre o regulamento de carreiras, mas sobre a questão específica dos mestres não foi falada qualquer coisa», revelou Carlos Costa.

No âmbito da reunião entre o secretário de Estado e os sindicatos dos trabalhadores, foram abordadas as matérias laborais transversais à Soflusa e as matérias do pré-aviso de greve dos mestres, o que resultou num acordo em relação a três matérias, designadamente regulamento de carreiras, negociações salariais e contratação de pessoal.

Relativamente às contratações, o governante deixou a promessa de «reforçar os recursos humanos na Soflusa, na área marítima, de forma a contratar até seis novos recursos», a que se acrescem os quatro marinheiros promovidos a mestres no âmbito de um concurso interno.

Todavia, a estrutura sindical mantém o alerta que não são suficientes, visto que o serviço precisa de, pelo menos, 24 mestres, assim como de mais marinheiros e assistentes de terra para funcionar com qualidade. Além disso, afirmou que têm saído para «a reforma vários trabalhadores, sem qualquer substituição», motivo pelo qual «as admissões não chegam para cobrir as saídas».

Com agência Lusa​​​​​​​

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