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Enfermeiros: «Com ou sem pandemia, contratação já é tardia»

O SEP organizou um protesto em frente ao Hospital Santa Maria em Lisboa, esta quarta-feira, onde um grupo de enfermeiros exigiu uma carreira única que valorize os profissionais e corrija as desigualdades.

CréditosTiago Petinga / Lusa

Dezenas de enfermeiros, «cansados» e «exaustos» da «retórica política», participaram numa vigília ao início da noite de ontem em frente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, reivindicando uma carreira para todos estes profissionais de saúde.

«Os enfermeiros estão cansados e estão exaustos. Estamos fartos do discurso político, da retórica política, sobre a relevância do papel dos enfermeiros, mas no plano prático, em termos de consequências [para as carreiras dos enfermeiros], é zero», disse aos jornalistas José Carlos Martins, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN).

O grupo de enfermeiros entoou palavras de ordem como «queremos uma carreira para a enfermagem inteira», «enfermeiros a cumprir têm de progredir» e «com ou sem pandemia, contratação já é tardia».

Para o dirigente do SEP, o Governo «tem de dar início à negociação de uma carreira única para todos os enfermeiros», que «valorize todos, corrija desigualdades» e «elimine injustiças».

Uma das injustiças que os enfermeiros quiseram evidenciar foi o facto de haver profissionais com mais de 15 anos de profissão, mas que «ganham o mesmo» que um enfermeiro recentemente empregado.

E a pandemia apenas veio «evidenciar» não só a importância, mas também o risco associado à profissão de enfermeiro, prosseguiu José Carlos Martins.

Durante a tarde, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo já tinha mandado processar o pagamento do subsídio de risco atribuído aos profissionais de saúde, que deveria ter sido pago em Fevereiro.

O dirigente sindical criticou o que considerou ser uma intenção do Governo de «poupar dinheiro», já que «fixou um conjunto de critérios que determina a sua aplicabilidade a um reduzido número de enfermeiros, muito poucos, quando o esforço, o desempenho e o profissionalismo» foi de todos.

«O que nós exigimos, precisamente, para reconhecer o trabalho, o empenho e a dedicação dos enfermeiros, é atribuir a menção de relevante no seu desempenho, face ao ano de 2020, no combate à pandemia», afirmou José Carlos Martins.


Com agência Lusa

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