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El Corte Inglés obriga trabalhadoras a comer na casa de banho

O CESP promoveu esta sexta-feira uma acção de denúncia à entrada do El Corte Inglés de Lisboa, onde os trabalhadores repudiaram os baixos salários praticados e o «ambiente de muita repressão».

Entrada do El Corte Inglés, em Lisboa
Entrada do El Corte Inglés, em LisboaCréditosMiguel Cunha Duarte / CC BY-NC-SA 2.0

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) esteve esta manhã no El Corte Inglés de Lisboa, numa acção de protesto, onde foram distribuidos documentos aos clientes a denunciar os baixos salários e as más condições de trabalho ali praticadas.

Sofia Silva, funcionária no El Corte Inglés, afirmou ao AbrilAbril que a acção tinha como objectivo denunciar a realidade dentro da grande superfície e de apelar à «solidariedade dos clientes» para com os trabalhadores, fosse através do livro de reclamações ou em email aos recursos humanos da empresa.

Caracterizando a vivência dentro da superfície comercial como um «ambiente de muita repressão», a funcionária denunciou que as «colegas no 4.º piso estão proibidas de fazer as pausas na sala de descanso», tendo que recorrer à casa de banho para lanchar.

«Têm de ir para a casa de banho comer uma maçã ou um iogurte, seja o que for, porque não as deixam sequer comer no armazém. Simplemente, têm de ir quase de fugida para comer qualquer coisa e praticamente às escondidas», afirmou.

Sofia Silva acrescentou ainda que, dentro do El Corte Inglés, há mães que têm pedido horários flexíveis, tal como prevê a lei da parentalidade, mas a empresa reage mal aos pedidos, tendo as trabalhadores que recorrer aos tribunais para terem um direito consagrado.

Sobre salários, a trabalhadora afirmou que a empresa «atingiu este ano o valor mais alto dos lucros desde que entrou aqui, em Portugal, e o que é certo é que temos tido salários baixíssimos». Quando há aumento, realça, «não são para todos», além de os caracterizar como insuficientes, de apenas 1% sobre salários baixos, o que «acaba por ser muito pouco».

Já o subsídio de alimentação não é aumentado desde 2006, estando em «5,09 euros, o valor mais baixo das empresas de grande superfície», sobretudo tendo em conta que «o custo de vida aumentou muito». Os horários de trabalho são ainda desregulados e os ritmos de trabalho muito intensos.

No último balanço fiscal, o grupo espanhol El Corte Inglés obteve lucros de 24,6 milhões de euros em Portugal, uma subida de 36,7%, graças à subida das vendas, que atingiram o valor recorde de 479 milhões de euros.

Grande distribuição bloqueia negociações

Os trabalhadores do El Corte Inglés, à semelhança dos restantes colegas do sector, exigem o fim da chantagem patronal nas negociações para o contrato colectivo de trabalho do sector, protaganizada pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Com greve marcada para 12 de Setembro, em toda a grande distribuição, os trabalhadores reivindicam o aumento geral dos salários, o fim da tabela B, que prevê menos 40 euros de salário em todos os distritos excepto Lisboa, Porto e Setúbal, e a progressão automática dos operadores de armazém até ao nível de especializado.

A APED, representante das grandes cadeias de distribuição, é acusada de bloquear as negociações para a revisão do contrato colectivo de trabalho do sector, um processo que se arrasta desde Setembro de 2016. Esta exige, a troco do aumento dos salários, várias contrapartidas: a redução para metade do valor pago pelo trabalho suplementar e em dia de feriado e a aceitação oficial do banco de horas como prática no sector.

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