Qualidade do emprego criado motiva preocupação

Desemprego mantém trajectória descendente

Os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) reflectem uma melhoria no mercado de trabalho. Resultados não escondem debilidades que subsistem – precariedade e baixos salários.

Participantes durante a Marcha Contra o Desemprego «Por um Portugal com Futuro!», em Lisboa, 13 de Outubro de 2012
CréditosJosé Sena Goulão / Agência LUSA

A evolução do desemprego e do emprego entre os primeiros três meses do corrente ano e o período homólogo de 2016 reflecte de forma muito clara a reanimação da actividade económica neste último ano. Neste período foram criados, em termos líquidos, 144 800 postos de trabalho e o número de desempregados em sentido restrito reduziu-se em 116 300.

144 800

Criação de postos de trabalho no último ano

A taxa de desemprego situou-se, no primeiro trimestre de 2017, nos 10,1%, o que corresponde a 523 900 desempregados, menos 19 300 desempregados do que no trimestre anterior e menos 0,4 pontos percentuais do que neste período, enquanto o emprego cresceu, com a criação líquida de 14 500 postos de trabalho.

Os dados agora divulgados, espelhando uma melhoria na situação registada no mercado de trabalho, continuam a revelar o elevado nível do desemprego em sentido lato que o País enfrenta. No primeiro trimestre de 2017, o desemprego real atingiu os 961 900 trabalhadores, uma taxa de desemprego de 17,8%. São ainda 219 100 os portugueses que se encontram na situação de inactivos e que estão disponíveis para regressar ao mercado de trabalho e são 218 900 os portugueses que apenas conseguem trabalhar poucas horas por semana, estando disponíveis para trabalhar a tempo completo.

961 900

Número de desempregados em sentido lato (incluíndo inactivos disponíveis e sub-emprego)

Mas não é apenas o desemprego que mantém níveis muito elevados, é também muito do emprego existente que continua a não ter qualidade. Mais de 800 mil trabalhadores por conta de outrem têm contratos precários, centenas de milhares de trabalhadores são falsos trabalhadores independentes forçados a passar recibos verdes e mais de 1,1 milhões de trabalhadores por conta de outrem (30% do total) a receber um salário bruto inferior a 600 euros.

Dados mostram reanimação da economia

Os resultados do Inquérito ao Emprego hoje divulgado pelo INE, embora não corrigidos de sazonalidade, espelham bem a aceleração da actividade económica que se regista desde o início do segundo semestre do ano passado. Embora por razões sazonais o emprego tendencialmente baixe no início de cada ano, a forte reanimação da actividade económica que se vem registando fez com que o emprego tenha subido e o desemprego descido em relação ao último trimestre de 2016, apesar do efeito sazonal.

800 000

Trabalhadores por conta de outrem com contratos precários

A melhoria registada na situação económica e social beneficiou de medidas que contribuíram para aumentar o rendimento disponível das famílias, reanimar a consumo privado e consequentemente a procura interna e actividade económica. Entre estas, contam-se a reposição dos salários na Administração Pública, a devolução progressiva da sobretaxa de IRS, a reposição das 35 horas na Administração Pública, o aumento do salário mínimo nacional, o descongelamento das reformas, o aumento dos apoios sociais e a redução do IVA na restauração.

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