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CP e concessionária jogam com futuro de 120 trabalhadores dos bares

A Risto Rail, concessionária dos comboios de longo curso da CP, Alfa e Intercidades, não vai assegurar o pagamento do salário de Junho e Julho aos 120 trabalhadores.

Concentração dos trabalhadores dos bares dos comboios em Santa Apolónia, 4 de Abril de 2019
Concentração dos trabalhadores dos bares dos comboios em Santa Apolónia, 4 de Abril de 2019Créditos / Sindicato de Hotelaria do Norte

Depois de mais uma reunião entre a Federação dos Sindicatos da Hotelaria e Turismo (Fesaht/CGTP-IN), a CP e a concessionária, no Ministério do Trabalho, a estrutura sindical afirma, em comunicado, que «a Risto Rail não assegurou o gozo de férias nos termos legais, não assegura o pagamento do salário de Junho e Julho e demais direitos aos 120 trabalhadores, alegando que a CP lhe deve dinheiro».

A CP denunciou o contrato de concessão do serviço de refeições com efeitos a 31 de Julho de 2021, e lançou um concurso que a Fesaht diz ter ficado «deserto, sem concorrentes». Por isso, a operadora lançou «novo concurso no passado dia 9», referiu a estrutura.

«Questionada pela Fesaht, a CP confirmou que o anterior concurso ficou deserto, que está a decorrer um novo concurso público para o serviço de refeições a bordo dos comboios Alfa Pendular e Intercidades» e «que a publicação no DR do dia 9 de Junho ainda vai ser revista porque há lapsos, não assegurando a clarificação do futuro dos 120 postos de trabalho», lê-se na mesma nota.

Neste novo concurso, o caderno de encargos mantém a redução do número de trabalhadores nos comboios Alfa Pendular de três trabalhadores para um e a «redução drástica dos serviços, com a exclusão dos serviços de minibares ao lugar e de boas vindas na 1.ª classe», garante a estrutura.

A Federação «manifestou o seu desagrado e o seu protesto, pois o novo caderno de encargos põe em causa o direito à saúde e segurança no trabalho e demais condições de trabalho, põe em causa a qualidade de serviço e, fundamentalmente, é um convite a dezenas de despedimentos».

Com o novo processo, «a CP ainda oferece mais contrapartidas, passando a pagar 110 mil euros mensais a quem ficar com o serviço», diz a Fesaht.

«A Risto Rail e a CP estão a criar um clima de grande pressão e de insegurança quanto aos salários e ao futuro dos postos de trabalho dos 120 trabalhadores e o ministro das Infraestruturas continua a "assobiar para o lado" recusando o diálogo com a Fesaht e os seus sindicatos», lamenta a estrutura.

A Fesaht revelou ainda que a Risto Rail declarou que vai cumprir os formalismos legais, transmitindo para a CP os vínculos laborais dos 120 trabalhadores com efeitos a 1 de Agosto de 2021, tendo ficado agendada nova reunião no Ministério do Trabalho para dia 20 de Julho.

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