Convocada greve na Thyssenkrupp Elevadores

Os trabalhadores da Thyssenkrupp Elevadores marcaram greve de 24 horas para os dias 24 de Fevereiro e 10 de Março, exigindo aumentos salariais dignos. Para o primeiro dia de greve também está a ser organizada uma deslocação à Embaixada da Alemanha, em Lisboa.

O Grupo Industrial Thyssenkrupp AG, no 1.º trimestre do actual exercício, facturou 10,1 mil milhões de euros e teve lucros de 15 milhões de euros.
O Grupo Industrial Thyssenkrupp AG, no 1.º trimestre do actual exercício, facturou 10,1 mil milhões de euros e teve lucros de 15 milhões de euros.Créditos / Empresas Hoje

Não havendo acordo salarial entre a Fiequimetal/CGTP-IN e a empresa, os trabalhadores e os sindicatos desta federação decidiram, em vários plenários, convocar dois dias de greve. No primeiro deles, 24 de Fevereiro, os sindicatos vão organizar transporte para quem quiser deslocar-se à Embaixada da Alemanha, em Lisboa.

Os trabalhadores exigem «aumentos salariais dignos», nomeadamente o aumento do salário base em 37 euros como mínimo para todos, sem qualquer factor de avaliação de desempenho, informa a Fiequimetal num comunicado.

A Thyssenkrupp Elevadores Portugal emprega mais de 430 trabalhadores, distribuídos por 11 delegações do País, em que 240 são técnicos de elevadores. A empresa pertence ao Grupo Industrial Thyssenkrupp AG, com sede na Alemanha. Para a federação sindical, não é compreensível que esta empresa não tenha condições de aumentar salários acima dos 27 euros aprovados para o aumento do salário mínimo nacional, tendo em conta que em 2016 lucrou mais de 6 milhões de euros. Mais informa que esta empresa no último exercício apresentou níveis de rentabilidade de 19%, acima dos 15 % que é referência do Grupo, acrescentando que a direcção do grupo, que não aceita a proposta dos trabalhadores, no 1.º trimestre do actual exercício facturou 10,1 mil milhões de euros e teve lucros de 15 milhões de euros.

No comunicado, a federação sindical revela que a administração demonstrou desde o início «que o seu principal objectivo era manter o valor do aumento da massa salarial global em 1%», e que a Comissão Negociadora Sindical propôs a transferência de 20% dos montantes globais de prémios de desempenho e produtividade para viabilizar aumentos para todos, de acordo com o caderno reivindicativo de 2017. No entanto, a administração da empresa não aceitou reduzir «as dezenas de milhar de euros dos prémios mensais», que não são obrigatórios, nem pagos em 14 meses, não contam para a reforma nem para o subsídio de doença e dependem de determinadas variáveis.

Discriminação salarial e desregulação das carreiras

A Fiequimetal denuncia que a discriminação salarial atinge todas as categorias profissionais na empresa, «sem justificação plausível».

São dados exemplos desta situação: o caso dos Oficiais Electromecânicos, que auferem os salários base mais diferenciados, dos 760 aos 1885 euros; a categoria de Encarregado, cuja diferença salarial vai dos 1300 aos 2020 euros; ou o caso do Escriturário de primeira, em que os salários oscilam entre os 890 e os 1280 euros. Os trabalhadores queixam-se igualmente da desregulamentação das carreiras.

A Fiequimetal deixa o aviso de que a greve pode ser desconvocada a qualquer momento se a administração mudar de posição e aceitar as reivindicações dos trabalhadores.