|Confederação Nacional da Agricultura

CNA: «Soberania alimentar com agricultura familiar»

Mais de mil pessoas participaram este domingo, em Coimbra, no 8.º Congresso da Confederação Nacional da Agricultura, no qual estiveram em discussão os temas «mais candentes da actualidade agro-rural».

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CréditosLuís Noutel / AbrilAbril

Paralelamente às comemorações do seu 40.º aniversário, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), uma das mais relevantes estruturas representativas de agricultores no País, realizou ontem o seu 8.º congresso no Convento de S. Francisco, em Coimbra.

Cerca de 1200 pessoas de diversas associações, convidados e especialistas do sector de todo o País participaram no evento, além de outros representantes da Europa, África e Brasil. O ministro da Agricultura também esteve presente.

«Soberania alimentar, com a agricultura familiar» foi o lema escolhido, dando já uma ideia de um dos pontos centrais discutidos no congresso. Entre outros temas, destacam-se: «Floresta. Recuperação e Prevenção»; «Sustentabilidade dos Modelos Alimentares, Comerciais e Produtivos» e o «Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa». O último é uma das principais bandeiras de luta da CNA, de forma a valorizar a práctica e a sua importância estratégica na sociedade.

No congresso, a CNA exigiu mais apoios para a agricultura familiar e a abertura de um novo prazo de candidaturas aos fundos de apoio para pequenos e médios agricultores, que sofreram prejuízos nos incêndios de 2017 e não conseguiram aceder aos apoios até 5000 euros, tanto pelos curtos prazos como pelas dificuldades burocráticas. Outra exigência foi a regulamentação da venda e transformação da madeira, num processo em que os agricultores saem prejudicados.

CréditosLuís Noutel / AbrilAbril

Num documento, a CNA afirma que o «congresso realiza-se em condições particularmente difíceis e adversas para a produção, para a agricultura familiar, para as populações. A vaga de fogos rurais do último ano atingiu proporções nunca vistas, causou a perda de vidas humanas, destruiu explorações agrícolas e a economia regional, (...) que durará anos a recuperar, urgindo, mas também tardando já, a tomada de medidas políticas e económicas para que o mundo rural não fique ainda mais deserto».

Além disso, a estrutura associativa reitera que «as políticas de sucessivos governos e da UE, particularmente a Política Agrícula Comum, privilegiando o agronegócio em prejuízo da soberania alimentar, (...) da agricultura familiar, do desenvolvimento rural, assente na produção nacional, têm mantido Portugal numa situação de dependência alimentar».

«Eliminaram mais de metade das explorações agrícolas, particularmente as pequenas e médias, enquanto financiam a instalação de grandes empresas agrícolas, nacionais e estrangeiras, na lógica concentracionista do produzir para exportar. (...) um futuro negro para a agricultura familiar e a alimentação, que exige do Governo um claro e firme posicionamento político em defesa do interesse nacional», afirma a CNA.

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