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Centenas de trabalhadores em greve na Efacec

Mais de 200 trabalhadores da Efacec estiveram esta manhã em greve nos dois pólos da empresa, no distrito do Porto, contra «despedimentos encapotados» e «alterações de funções sem consentimento» dos funcionários.

Trabalhadores da Efacec concentrados em protesto, em 27 de Outubro de 2017. Foto de arquivo
Trabalhadores da Efacec concentrados em protesto, em 27 de Outubro de 2017. Foto de arquivoCréditos / SITE Norte

«Na zona da energia [com instalações em Matosinhos], estamos a falar de 400 trabalhadores abrangidos por estes problemas. Em greve, cá fora, estão 200. Lá dentro há trabalhadores que concordam com a paralisação, mas têm medo por causa do assédio existente na empresa. Na unidade de mobilidade elétrica [com instalações na Maia], estarão em greve cerca de 30 pessoas. É lá que existe a maior quota de rescisões por mútuo acordo, mas como os trabalhadores estão mais perto do poder sentem mais a repressão», descreveu José Marques, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte (SITE Norte)

O responsável falava à Lusa por volta das 9h30, no pólo industrial da Arroteia, concelho de Matosinhos, sobre a greve convocada pelo SITE-Norte, que decorreu também nas instalações da empresa na Maia, dividida por dois turnos, em ambos os casos: entre as 9h e as 11h e entre as 17h e as 19h.

«A alteração de funções, as rescisões, o banco de horas e a flexibilização de horários são transversais a todas as unidades [da Efacec]», descreveu José Marques.

De acordo com o sindicalista, com as medidas que a empresa tem vindo a implementar, «já estão a acontecer» casos de «acumulação de funções sem consentimento do trabalhador», o que corresponde a uma «desvalorização profunda do valor da mão da obra».

«O trabalhador fica sem ter um posto de trabalho permanente. A empresa, se o quiser colocar noutro sector, fá-lo sem o seu consentimento. O trabalhador deixa de ter o direito de manifestar a sua posição», afirmou José Marques.

O responsável nota ainda que «ter ou não ter contratos de trabalho» é «praticamente a mesma coisa», já que os documentos foram transformados numa «formalidade», pois «todos os direitos são prescindidos logo à partida».

De acordo com o dirigente sindical, «a administração da Efacec começou a usar o instrumento legal de empresa em reestruturação para levar a cabo rescisões por mútuo acordo», mas fê-lo mandatando «directores e chefias para elaborarem uma lista de trabalhadores possivelmente excedentários».

«Pegando nesse instrumento legal, foram fomentando o medo e a instabilidade no seio dos trabalhadores. Muitos não sabem por que foram incluídos na lista», alertou José Marques.

O responsável, que é também representante da Comissão de Trabalhadores, descreve que, depois disso, foi colocada aos funcionários «a possibilidade de integrarem a mobilidade eléctrica», pelo que os trabalhadores «começaram a sentir que estavam a ser empurrados para a rescisão ou para a ingressão na [outra] unidade de negócios».

José Marques indica ainda uma «terceira situação», referindo a extinção do posto de trabalho por parte de chefias que «não estavam devidamente mandatadas pela administração para o fazer».

Com agência Lusa

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