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Autoeuropa: os trabalhadores não vão pagar pelas decisões dos patrões

A Autoeuropa quer parar 21 dias em Junho e Julho para descarbonizar a fábrica da Volkswagen (em Palmela). A empresa quer obrigar os trabalhadores a pagar por isso, forçados a um «lay-off abusivo», considera a Fiequimetal/CGTP.

CréditosMário Cruz / Agência Lusa

Se, em 2023, o argumento que justificava o lay-off e perda de rendimentos dos trabalhadores da Autoeuropa era ténue (problemas com fornecedores da Eslóvenia resultaram num corte salarial de 5% e na penalização no pagamento da compensação do trabalho ao fim-de-semana), a proposta da empresa para o lay-off em 2024 chega a ser «abusiva», considera, em comunicado enviado ao AbrilAbril, a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN).

A Autoeuropa anunciou recentemente a sua intenção de encerrar a produção num período de oito dias em Junho e de 13 dias no mês de Julho, num total de 21 dias. O objectivo é reestruturar a unidade de produção em Palmela, descarbonizando a fábrica.

A comissão do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (Site Sul/ CGTP-IN) na Autoeuropa sublinha que «estas paragens são programadas pela empresa, não decorrem de nenhuma situação excepcional e estranha à sua vontade». Os motivos que levam a Volkswagen Autoeuropa (cujo grupo rendeu, em todo o mundo, mais de 16 mil milhões de euros em 2023) a suspender a produção «são alheios à vontade dos trabalhadores».

«A administração da Volkswagen Autoeuropa só tem uma opção: garantir a totalidade da remuneração mensal dos trabalhadores no período em que vigorar o lay-off». A Fiequimetal, que já apresentou um pedido de reunião urgente à ministra do Trabalho, exige «a manutenção do emprego de todos os trabalhadores, directos e indirectos», que trabalhem em empresas que fornecem serviços à Autoeuropa; a «manutenção dos rendimentos e de todos os direitos dos trabalhadores» durante o lay-off; e que todas as situações «sejam sujeitas a prévias e criteriosas autorizações e rigorosas fiscalizações».

A federação sindical relembra que o último destes processos deu muito jeito ao patronato mas resultou em graves «problemas sociais e económicos» para muitos milhares de trabalhadores da Autoeuropa e de mais de 30 empresas que estão envolvidas, em diferentes dimensões, de forma directa ou indirecta, no processo produtivo da Volkswagen.

Seja qual for a solução, e como não podia deixar de ser, os accionistas do Grupo Volkswagen vão continuar a receber chorudos dividendos, «fruto do esforço exigido diariamente» a dezenas de milhares de trabalhadores em todo o mundo, refere o SITE Sul, incluindo os muitos milhares que todos os dias exercem funções na Autoeuropa.

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