|Indústria alimentar

Aumento dos lucros na indústria alimentar não melhora condições laborais

O sector tem visto os lucros aumentar durante o período de confinamento mas não garante as condições de protecção aos trabalhadores, que auferem na sua maioria o salário mínimo nacional.

CréditosFERNANDO VELUDO / LUSA

Os recentes casos positivos de Covid-19 na indústria de alimentação são «a ponta de um grande iceberg», denuncia em nota o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab/CGTP-IN), sublinhando que a realidade nas fábricas do País «não se espelha nos planos de contingência apresentados pelas empresas».

No documento, o sindicato mostra a sua «preocupação» com a situação deste sector, uma vez que, apesar dos «elaboradíssimos planos excepcionais de contingência» apresentados pelas empresas, na prática muitos dos trabalhadores têm visto a sua segurança ser posta em risco devido à «falta de compromisso» que as estruturas de gestão têm com o cumprimento das regras de segurança.

Estas más práticas, segundo o Sintab, têm sido o catalisador das situações de contágio colectivo como na Avipronto, da Azambuja, e na Sohi Meat, em Santarém.

Se, por um lado, o sector da indústria da alimentação, nomeadamente as conservas, massas e carnes processadas e embaladas, tem tido um considerável aumento dos lucros, por outro lado, não houve qualquer reflexo quantitativo nos salários dos trabalhadores, mantendo, na sua maioria, o recurso ao salário mínimo nacional, de que são exemplo empresas como a Cerealis, a Poveira, a Ramirez ou a Esip.

A saúde dos trabalhadores e das suas famílias não é prioritária em relação à manutenção dos lucros das empresas, denuncia a estrutura sindical, lembrando que, a ser necessário o aumento da capacidade produtiva do País, este deve ser feito com a garantia de uma melhoria da capacidade económica dos trabalhadores, bem como das suas condições de trabalho.

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