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Greve nacional nas conservas de peixe, um sector que nunca parou na pandemia

Os trabalhadores do sector das conservas de peixe estiveram em greve por melhores salários e condições de trabalho, e contra a tentativa de chantagem patronal na negociação do contrato colectivo.

CréditosSINTAB

A greve dos trabalhadores do sector das conservas de peixe, ocorrida nesta sexta-feira, foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabaco de Portugal (SINTAB) após a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP) recuar nas promessas já feitas à mesa de negociações.

Aumentos salariais dignos, defesa dos direitos consagrados, negociação e melhoria do contrato colectivo de trabalho, para garantir o direito e pelo direito à vida familiar, foram as razões que levaram os trabalhadores à greve.

Razões que ganharam mais força após a ANICP ter informado, numa primeira fase, que iria apresentar um proposta de aumento salarial e ceder na questão dos horários, para depois vir dizer que os aumentos prometidos, afinal, dependiam da alteração de um artigo do contrato colectivo de trabalho que salvaguarda e regula os horários, visando obrigar os trabalhadores a trabalhar fora de horas.

Para o SINTAB, a promessa inicial dos representantes do patronato visou apenas ganhar tempo, para ao fim de contas continuarem a impor a retirada de direitos e uma política de baixos salários, garantindo a ampliação das margens de lucro dos patrões.

Este é um sector que durante a pandemia muitos disseram ser da linha da frente, no entanto os trabalhadores não estão a ser tratados como tal. Ignorando as reivindicações dos trabalhadores, o patronato visa o alargamento dos horários de trabalho, pondo em causa a conciliação da vida familiar com o trabalho, tendo em conta que a maioria dos trabalhadores são mulheres.

De forma a acompanhar a corajosa luta do sector, a secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, deslocou-se a duas fábricas e marcou presença em dois piquetes de greve, manifestando a sua solidariedade. Às 10 horas esteve em Peniche, na Esip-European Seafood Investments Portugal, e às 14 horas foi à fábrica da Cofisa, na Figueira da Foz.

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