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A 20 anos de Atenco, Sheinbaum diz «nunca mais» à repressão do povo do México

No contexto dos 20 anos da resistência popular de Atenco, a presidente mexicana formalizou a entrega de terras e comprometeu-se a erradicar a repressão policial sobre os movimentos sociais.

A presidente mexicana formalizou a restituição de terras em San Salvador de Atenco, a 3 de Maio de 2026 CréditosJavier Salinas Cesáreo / La Jornada

Claudia Sheinbaum liderou, este domingo, uma cerimónia em San Salvador Atenco (estado do México) em que se evocou a luta da população, há duas décadas, contra a construção do Novo Aeroporto Internacional do México (NAIM) e a forte repressão policial que teve lugar a 3 e 4 de Maio de 2006 – com graves violações dos direitos humanos, como torturas, violação sexual de mulheres e dezenas de detenções arbitrárias.

Na presença dos representantes da Frente dos Povos em Defesa da Terra (FPDT), que lutou contra a expropriação de terras e a imposição do aeroporto, a chefe de Estado reivindicou a sua luta e a de outros movimentos sociais, recordou a «cruel repressão» que sofreram e fez questão de declarar que «nunca mais um polícia, um guarda nacional, reprimirá o povo do México. Nunca mais».

No acto classificado como «simbólico» e de «justiça», Claudia Sheinbaum concretizou a entrega de 54,5 hectares de terra às comunidades do município e vincou as diferenças entre os governos da Quarta Transformação e os da oligarquia sob o regime neoliberal.

«É uma visão muito diferente. Os conservadores de hoje, a direita de hoje, aqueles que detinham o poder e o usaram para reprimir o povo, para saquear o povo e a pátria dos seus recursos naturais, estão agora a tentar regressar aos seus antigos costumes; mas enfrentam algo muito importante: a consciência do povo mexicano», afirmou Sheinbaum, citada por La Jornada.

«Enfrentam a vasta maioria que quer que continuemos a avançar no caminho da Quarta Transformação da vida pública no México. E nós vamos continuar a avançar, vamos continuar a aprofundar a democracia e a justiça», sublinhou.

FPDT exige punição para os responsáveis

A organização que liderou a luta contra a expropriação de terras e o novo aeroporto aproveitou o acto deste domingo para reafirmar a exigência de castigo penal para os responsáveis pela repressão de Maio de 2006, tendo apontado directamente o dedo aos antigos presidentes Vicente Fox e Enrique Peña Nieto (este último então governador do estado do México) pelas mortes dos jovens Alexis Benhumea e Javier Cortés, bem como pelas torturas, abusos sexuais e detenções arbitrárias de centenas de camponeses.

Ainda assim, o movimento reconheceu os avanços já alcançados no governo de Andrés Manuel López Obrador, e entregou a Sheinbaum uma agenda que contempla temas como a devolução de mais terras, o fim da exploração mineira na região e a construção de infra-estruturas de saúde e educação, refere a TeleSur.

A presidente mexicana reconheceu que ainda existem dificuldades no acesso à justiça para muitas das lutas sociais do país, e fez questão de afirmar: «Tenham a certeza, hoje e sempre, de que nunca vos trairemos, de que estaremos sempre próximos…»

«É importante mostrar a diferença: onde havia expropriação, hoje há restituição de terras; onde havia corrupção, hoje apresentamo-nos diante de vós com honestidade; onde havia intolerância, hoje há diálogo; onde havia governos da oligarquia, hoje há governos do povo; onde havia repressão, hoje há diálogo e reconhecimento», acrescentou.

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