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Morreu Armando Alves, o «inventor de céus e planícies»

Pintor, escultor e designer gráfico, figura maior da arte portuguesa, Armando Alves morreu esta terça-feira, aos 90 anos, anunciou a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP).

Créditos / DR

Com um percurso na pintura de mais de seis décadas, foi também pioneiro no design, sendo responsável, sobretudo a partir do final dos anos 1960, pela valorização e renovação da área das artes gráficas, introduzindo-as no ensino a nível académico, na edição literária e na publicidade.

Armando Alves foi agraciado em 2006 com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito e, em 2009, recebeu o Prémio de Artes Casino da Póvoa, numa carreira longa entre o trabalho como pintor, a docência e a construção de uma memória gráfica da vida cultural da cidade do Porto.

Com Ângelo de Sousa (1938-2011), José Rodrigues (1936-2016) e Jorge Pinheiro (1931), todos formados com a nota máxima (20) na Escola de Belas-Artes do Porto (actual FBAUP), o que originou, em 1968, a formação do grupo Os Quatro Vintes, apresentou várias exposições no final da década de 1960, nomeadamente na Galeria Domingues Alvarez (Porto, 1968), na Galeria Zen (Porto, 1969), na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1970) e na Galeria Jacques Desbrière (Paris, 1970).

Em 2025, a Cooperativa Árvore, no Porto, de que foi cofundador, expôs obras do artista plástico desde 1958 até à actualidade, numa mostra «artística e afectiva» que visou assinalar os 90 anos do artista, no dia 7 de Novembro. Sempre exposto ao público está o mural concebido por Armando Alves, na frente do centro de trabalho do PCP, na Invicta. 

«Na pintura e na obra gráfica de Armando Alves, cruzam-se rigor e lirismo, disciplina e emoção, geometria e luz. Eugénio de Andrade escreveu que o artista se "descobriu alentejano ao mesmo tempo que se descobria pintor"; e José Saramago chamou-lhe, com admirável justeza, «inventor de céus e planícies». Talvez poucas palavras consigam dizer tão bem a fidelidade profunda da sua obra a uma paisagem interior feita de memória, silêncio, claridade e cor», lê-se numa nota da Árvore.

Ilustrador, artista gráfico, desenhador e pintor abstraccionista, Armando Alves, natural de Estremoz, está representado no Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), Museu Amadeo de Souza-Cardoso (Amarante) e na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). 

Com agência Lusa

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