Sobre a lei aprovada no parlamento israelita na segunda-feira, a presidência palestiniana frisou, em comunicado, que essa legislação «constitui um crime de guerra contra o povo palestiniano» e que «se insere no contexto mais amplo da escalada das políticas e medidas israelitas nos territórios palestinianos ocupados, incluindo a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental».
Alertando para as «perigosas repercussões» destas «leis racistas», a presidência destacou ainda que «tais leis e medidas não quebrarão a vontade do povo palestiniano nem minarão a sua firmeza», da mesma forma que não «o impedirão de prosseguir a sua legítima luta pela liberdade, independência e pelo estabelecimento de um Estado palestiniano independente com Jerusalém Oriental como sua capital», refere a Wafa.
Por seu lado, o movimento de resistência Hamas afirmou que a lei «fascista» terá uma «resposta à altura». «A lei fascista sionista de execução de prisioneiros incorpora a mentalidade dos gangues criminosos sedentos de sangue e constitui um precedente perigoso que ameaça a vida dos nossos heróicos prisioneiros nas cadeias da ocupação», afirmou o grupo em comunicado.
Neste sentido, declarou que «o inimigo sionista e os seus líderes criminosos têm de arcar com as consequências», refere o portal The Cradle.
Já as Brigadas Abu Ali Mustafa, da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), divulgaram um texto declarando que «a aprovação da lei que permite a execução de prisioneiros é o grito de desespero perante a firmeza dos nossos líderes e combatentes nas suas celas».
«Estão iludidos se pensam que a forca intimidará aqueles que levam as suas almas nas mãos», acrescentou o grupo, frisando que a medida não irá proteger os soldados e «hordas» de colonos israelitas.
De acordo com o Clube dos Prisioneiros Palestinianos, há actualmente 9500 presos palestinianos nas cadeias da ocupação, que enfrentam duras condições, tortura e negligência médica.
Neste contexto, o organismo afirmou que a lei aprovada de forma definitiva no Knesset representa uma «escalada histórica» e que «constitui o auge da criminalidade alcançada pela ocupação e pelos seus carcereiros contra os nossos bravos prisioneiros».
Cobertura legal à execução de palestinianos
«Em breve, vamos contá-los um a um», disse o ministro israelita da Segurança Nacional, Ben Gvir, que se tornou o grande defensor da medida e celebrou a sua aprovação com uma garrafa de champanhe em frente ao Knesset.
Na semana passada, a chamada comissão de «segurança nacional» do parlamento israelita tinha aprovado o projecto de lei sobre a «Execução de Reclusos», abrindo o caminho à aprovação em plenário da execução de palestinianos condenados por ataques que provocam a morte de israelitas e se enquadram naquilo que a ocupação define como «terrorismo».
Muitas críticas a nível internacional
Além de «profundas preocupações» com a eventual aprovação da medida expressas por estados europeus que consideram Israel uma «democracia» e que têm ligações estreitas ao genocídio do povo palestiniano na Faixa de Gaza, outras vozes, menos alinhadas com o eixo sionista-norte-americano de acção imperialista, também se pronunciaram.
Uma delas foi a do deputado britânico Jeremy Corbyn, que no Twitter (X) afirmou que «Israel aprovou a pena de morte exclusivamente para palestinianos, aplicada pelos tribunais militares com uma taxa de condenação de 96%».
Referindo-se ao champanhe da extrema-direita sionista, Corbyn disse que o executivo israelita «está a brindar ao apartheid genocida» e condenou o governo britânico pelo apoio militar e financeiro que dá a tal regime.
Por seu lado, a congressista norte-americana Rashida Tlaib denunciou que a medida é «o próximo passo no genocídio dos palestinianos» e um acto de apartheid, sublinhando que os palestinianos «já são sistematicamente torturados nas cadeias israelitas».
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