O Centro de Sindicatos Indianos (CITU), o Congresso Sindical de Toda a Índia e o Hind Mazdoor Sabha (HMS), com milhões de trabalhadores filiados, foram algumas das organizações sindicais que integraram a plataforma convocante da Jornada Nacional de Reivindicações, realizada esta terça-feira.
Centenas de milhares de trabalhadores vieram para as ruas de todo o país sul-asiático para exigir melhores condições de vida, salários justos, a revogação da legislação danosa aprovada pelo governo de extrema-direita e o fim da repressão sobre os trabalhadores que se mobilizam.
Em manifestações de rua, protestos à entrada das fábricas e das zonas industriais, exibiram bandeiras comunistas e faixas a plasmar as suas reivindicações, gritando palavras de ordem contra a «exploração desumana», indica o Peoples Dispatch.
Especial atenção mereceram os trabalhadores precários, bem como a repressão policial sobre trabalhadores em greve no sector da indústria no anel que circunda Nova Déli: Noida, Manesar, Gurugram e Faridabad.
Os sindicatos destacaram que se trata de um ataque brutal dirigido pela extrema-direita em estados onde esta governa, como Uttar Pradesh e Haryana, «actuando abertamente na defesa dos interesses do patronato».
Num comunicado conjunto, as estruturas sindicais denunciaram que mais de mil trabalhadores foram detidos, incluindo dirigentes sindicais, que foram acusados de agitação «externa» ou «anti-nacional».
Sublinhando que se trata de uma «ofensiva corporativa contra os direitos democráticos dos trabalhadores», a plataforma destacou igualmente que a luta destes continua, na sequência da histórica greve geral de 12 de Fevereiro último, em que mais de 300 milhões de trabalhadores contestaram as políticas «contra o povo» levadas a cabo pelo governo de Modi.
Reivindicações centrais
As organizações sindicais voltaram a reclamar a revogação de legislação danosa aprovada pelo governo de extrema-direita, que ataca direitos conquistados, fragiliza a contratação colectiva, promove as subcontratações e o trabalho precário.
Exigiram que o salário mínimo auferido pelos trabalhadores mensalmente nunca seja inferior a 26 mil rupias (cerca de 231 euros), bem como o arquivamento de todos os processos lançados contra os trabalhadores em luta e a libertação imediata e incondicional dos ainda detidos.
Reclamaram ainda um horário de trabalho de oito horas diárias e o pagamento de horas extra; pagamento igual para trabalho igual e estabilidade no emprego.
Acusando o governo de sistematicamente ignorar as reivindicações dos trabalhadores, os sindicatos avisaram que a luta vai continuar e que haverá novas mobilizações nos próximos dias.
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