A adesão à manifestação nacional de estudantes do Ensino Superior cresce, o apoio de estruturas associativas de todo o país aumenta, e a luta espera-se intensa, à altura do momento político vivido. O protesto, convocado sob o lema «24 de março – Dia Nacional do Estudante. Gratuitidade. Alojamento. Democracia. A Nossa Tradição é a luta!», promete levar milhares de estudantes às ruas da capital.
Até ao momento, 56 estruturas do Movimento Associativo Estudantil já se associaram ao apelo, incluindo associações de estudantes, associações académicas, núcleos, grupos académicos, tunas e comissões de residentes. A concentração está marcada para as 14h30 no Rossio, de onde os manifestantes seguirão em direcção à Assembleia da República.
Entre as entidades que já confirmaram a sua participação destacam-se as Associações Académicas de Coimbra, da Universidade da Beira Interior, da Universidade do Minho, da Universidade de Aveiro, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, da Universidade do Algarve e da Universidade da Madeira, bem como a Federação Académica de Lisboa.
A direita bloqueia mais Acção Social Escolar
Multiplicam-se famílias e estudantes a passar dificuldades económicas, mas nem assim PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal cedem na sua tentativa de elitizar o Ensino Superior. Na passada sexta-feira, dia 20 de Março, foi a votação um conjunto de propostas para reforçar os apoios sociais, porém, a direita bloqueou os projectos de lei que visavam avançar nesse sentido.
Os projetos de lei da autoria do PCP, PAN, JPP, Livre e Bloco de Esquerda (BE) foram chumbados, tendo sido aprovado um projecto de resolução do Chega que visava um suposto reforço da acção social com medidas de combate ao abandono estudantil. A explicação para a rejeição dos projectos de lei é simples: enquanto esses têm como objectivo criar, alterar ou revogar normas jurídicas, um projecto de resolução não tem valor de lei e, portanto, não obriga o Governo a aplicar o seu conteúdo, sendo apenas uma recomendação.
O PCP, por exemplo, propunha o alargamento dos critérios para atribuição de bolsas de estudo, aumentar os valores da bolsa e de complemento de alojamento para os deslocados. A iniciativa dos comunistas foi reprovada com os votos contra do Chega, IL, CDS e PSD e as abstenções do PS e do Livre.
Já a proposta do Bloco de Esquerda também defendia mais apoio à deslocação e a criação de um subsídio para comprar material escolar, mas foi também rejeitada com os votos contra Chega, CDS, IL, PSD e a abstenção do PS.
Sobre a proposta do PCP, ante elementar justiça, Maria José Aguiar, do Chega, disse «os estudantes não precisam de mais esmolas do Estado». Pelo CDS-PP, Paulo Núncio, no seu brilhantismo habitual, assumiu que a Acção Social Escolar «funciona francamente mal» e, como tal «não iria acompanhar» nenhuma iniciativa.
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