A iniciativa juntou militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), do Levante e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), indica o Brasil de Fato.
«A brigada tem o objetivo de expressar a solidariedade das organizações populares do Brasil e se somar na campanha internacional pela libertação do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores, e apoiar o trabalho que segue em curso da Revolução Bolivariana, fortalecendo o poder comunal», declarou à fonte Jailma Lopes, coordenadora nacional do MST.
Maduro e Flores foram sequestrados por forças norte-americanas no passado dia 3 de Janeiro e continuam presos nos Estados Unidos, devendo ser presentes ao Tribunal de Justiça de Nova Iorque na próxima quinta-feira.
«Além de atividades e atos pela praça por liberdade de Maduro e Cilia Flores, temos visto o povo firme», referiu a dirigente do< MST.
Expressando a solidariedade de organizações brasileiras e fortalecendo vínculos com processos políticos no país caribenho, a brigada pretende igualmente dar visibilidade às experiências locais e ampliar acções de mobilização no Brasil em torno da Venezuela, disse ainda Jailma Lopes.
Um processo de dois meses e para o futuro
A delegação iniciou as actividades em Caracas, onde permanece na primeira semana, realizando reuniões e actividades de formação. Depois, os militantes devem dividir-se por diversas regiões, participando em iniciativas que envolvem organização local e mobilização social, ao longo de dois meses.
«Passaremos dois meses, mas a intenção é continuar construindo outras brigadas no próximo período, quem venham conhecer, imergir na realidade e se solidarizar à revolução bolivariana, além da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho, que é uma brigada permanente do MST que já está aqui há mais de 20 anos, construindo várias frentes de trabalho com o povo venezuelano», disse Jailma.
Sobre a chegada à Venezuela, contou que o grupo ainda está em fase de adaptação e descreveu Caracas como organizada e com actividades em funcionamento. «Não há nada de caótico», disse, sublinhando a mobilização política existente em espaços públicos.
MST realizou curso sobre internacionalismo em São Paulo
De acordo com a informação divulgada pelo movimento no seu portal, o curso, de duas semanas, teve como objectivo enraizar o internacionalismo no seio da militância e contribuir para a formação de novos brigadistas para tarefas internacionais.
Nesse período, «63 educandas e educandos de 16 estados brasileiros dedicaram-se ao estudo da geopolítica mundial e da atualidade da luta internacionalista», refere o texto, explicando que, na Escola Nacional Florestan Fernandes (em Guararema, região metropolitana de São Paulo), foram debatidos temas relacionados com as reconfigurações do poder global diante das disputas hegemónicas, com o papel de América Latina, África e Ásia, bem como com os desafios que se apresentam à classe trabalhadora nesta fase histórica.
«Vivemos um momento histórico marcado pela crise e pela decadência do imperialismo», aponta o MST ao enquadrar a iniciativa, acrescentando que as potências imperialistas «intensificam a violência e as agressões como forma de preservar sua posição na ordem internacional».
É neste contexto de escalada que o movimento enquadra o genocídio do povo palestiniano, os ataques militares ao Irão, a ofensiva contra a Venezuela, o recrudescimento do bloqueio contra Cuba ou os conflitos no Sudão e na República Democrática do Congo.
É também neste contexto de disputa, instabilidade e agressões que o movimento brasileiro reafirma o internacionalismo como «valor e princípio revolucionário», e como «estratégia dos povos em luta para a construção de uma alternativa contra-hegemônica capaz de enfrentar a sanha imperialista de dominação global».
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