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Identidade de género: direita com agenda tenebrosa para desviar o foco dos problemas

PSD, Chega e CDS-PP aprovaram iniciativas que visavam o retrocesso na legislação sobre identidade de género. O objectivo era simples: marginalizar uma minoria e procurar elementos de conflitualidade para secundarizar a política de desastre com que conduzem o país.  

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

Foi por via de Madalena Cordeiro, militante do Chega que ficou célebre por considerar que a liberdade de coação foi uma das conquistas de Abril, que o debate arrancou ontem na Assembleia da República, e a jovem, além de procurar promover a nefasta agenda do seu partido, deu espaço para que o CDS-PP e o PSD pudessem mostrar o seu alinhamento à extrema-direita. 

Ao todo estavam em discussão três iniciativas que procuravam impor a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil. Desta forma, a direita atacou uma minoria, criou uma problemática artificial sustentada em argumentos falsos e instrumentalizou um tema de forma a não discutir respostas para os problemas do país. 

Os três projectos de lei foram aprovados na generalidade com votos a favor de PSD, Chega e CDS-PP e votos contra de PCP, BE, PS, IL, Livre, PAN e JPP. Durante o debate, pelo PCP, Paula Santos denunciou que a direita quer «é andar para trás» quando o que é necessário «é avançar no combate a todas as formas de discriminação». 

A líder da bancada parlamentar dos comunistas considerou que o que tais partidos «propõem é acentuar a discriminação exacerbando elementos de conflitualidade e de divisão». «Tal como são os seus projectos e ideais, retrógrados e reaccionários, querem voltar a reintroduzir concepções que estão ultrapassadas», afirmou a comunista. 

Pelo PS, Isabel Moreira acusou o PSD de ser cúmplice da «cartilha da extrema-direita» e pelo Livre, Paulo Muacho, classificou as iniciativas em debate como «atentado à liberdade». Já o deputado único do Bloco de Esquerda acusou o PSD, Chega e CDS-PP de quererem «retirar direitos» e desta forma «desproteger as crianças trans» e aumentar o seu sofrimento.

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