A reivindicar a criação do Arlequim, figura famosa da commedia dell'arte, do final do século XVI, Filipe Crawford encarna o italiano Tristano Martinelli no seu processo de criação desta personagem tantas vezes reimaginada nas artes ao longo dos séculos seguintes. O monólogo regressa a «uma Europa conservadora, com um Renascimento ainda atrasado, atormentada por guerras, pela peste e pela fome», lê-se na apresentação do espectáculo.
Reflexo de uma juventude abandonada à sua sorte, forçada a reinventar-se para sobreviver, o Arlequim de Martinelli não tem como ser nem piegas nem adocicado. «Este Arlequim é um pobre diabo que vem do inferno, que conheceu a fome e a miséria, e que agora quer rir». É um «bufão zombeteiro» que fez das suas risadas e piruetas fama e fortuna para o seu criador.
Inferno é escrita pelo dramaturgo chileno Felipe Cabezas e interpretada por Filipe Crawford, numa parceria do actor e encenador com o Teatro da Cerca de São Bernardo, que acolhe as apresentações, sempre às 21h30, entre 26 e 28 de Fevereiro.
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