«Esta corrida, cuja meta ninguém vislumbra, não é contra o tempo, nem a favor de ninguém. Esta corrida que é a vida no limite, que decorre no campo minado das especulações e da aldrabice, é um furacão para dentro do qual tudo é sugado e onde já nada se pode discernir», lê-se na descrição da peça. Os Contratos do Comerciante é sobre o capitalismo na sua forma mais disparatada, o mercado financeiro.
A autora, Elfriede Jelinek, agraciada com o Nobel da Literatura em 2004 está sempre à volta da crítica do capitalismo e do patriarcado em suas obras. Nesta Comédia Bancocrática, Jelinek usa a crise financeira de 2007 como ponto de partida para uma narrativa nada linear que expõe de forma satírica e indomável a violência estrutural a que nos submetemos quotidianamente apenas por estar num sistema financeiro. Toda a linguagem criptografada deste mundo entra em palco, assim como entrou na nossa realidade. Lá estão a compra, o valor, a falência, a concorrência, o risco, a garantia e, claro, o lucro.
A peça é uma criação do colectivo Auéééu, a partir da tradução de Helena Topa e com interpretação de Filipe Velez, Frederico Barata, Joana Manaças e Sérgio Coragem. A estreia acontece esta quarta-feira, dia 8 de Abril, no Teatro São Luiz, em Lisboa, e fica em cena até dia 12 de Abril.
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