Fu Cong, representante permanente da China junto das Nações Unidas, afirmou esta segunda-feira que o sistema internacional, com as Nações Unidas no seu cerne e o direito internacional como fundamento, está a ser minado pelo unilateralismo, pela política de poder e pela intimidação.
«Mais do que nunca, precisamos de reforçar a unidade e a cooperação, revitalizar o direito internacional e esforçar-nos por concretizar a visão de paz, segurança, prosperidade e progresso», disse Fu, citado pela Xinhua.
Todos os estados devem tratar-se como iguais, respeitar a soberania e a integridade territorial uns dos outros, comprometer-se com a solução pacífica de disputas, opor-se ao uso ou à ameaça de força nas relações internacionais e acatar a regra de ouro da não interferência nos assuntos internos de outros países, declarou o diplomata chinês.
«Nunca acreditámos que qualquer país tenha o direito de agir como polícia internacional, nem aceitamos que nenhum país se possa autodesignar juiz internacional», disse Fu. «O mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes caçam os fracos», frisou.
Em seu entender, as grandes potências devem desempenhar um papel de liderança neste sentido, evitando o uso de dois pesos e duas medidas ou a aplicação selectiva de regras, e abstendo-se de impor a sua vontade aos demais.
Estados não devem ignorar a ONU e criar mecanismos alternativos
O representante chinês observou ainda que a multipolaridade e a democratização das relações internacionais são tendências irreversíveis, defendendo um multilateralismo genuíno e uma maior representação e voz para os países em desenvolvimento na governação global, refere a Xinhua.
Quanto mais complexa for a situação internacional, mais importante é defender a autoridade e a posição das Nações Unidas. O papel da ONU deve ser reforçado, e não enfraquecido, declarou Fu, sublinhando que o seu país defende firmemente o Estado de Direito internacional e continuará a trabalhar com outros países para promover a paz e o desenvolvimento mundial.
Destacou também que «os estados não devem seleccionar os seus compromissos com as Nações Unidas, nem devem ignorar o organismo mundial e criar mecanismos alternativos», considerando que o estatuto e o papel do Conselho de Segurança são insubstituíveis, e que este organismo tem «a responsabilidade primordial pela manutenção da paz e da segurança internacionais».
Oposição ao bloqueio a Cuba
Numa conferência de imprensa em Pequim, esta terça-feira, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, manifestou preocupação com as acções que os EUA promovem contra Cuba, tendo instado Washington «a deixar de privar o povo cubano do seu direito à sobrevivência e ao desenvolvimento».
Também exortou a Casa Branca «a deixar de minar a paz e a estabilidade regionais, a pôr fim às violações do direito internacional e a acabar de imediato com o bloqueio e as sanções contra Cuba», indica a Prensa Latina.
Ainda a propósito das notícias que dão conta dos planos de Washington para bloquear o acesso da Ilha a hidrocarbonetos, Guo disse que o seu país vai continuar a dar apoio e ajuda a Cuba, tendo-se mostrado confiante em que, «sob a liderança do Partido e do governo, o povo cubano irá superar as dificuldades actuais».
Defesa da soberania venezuelana
Na mesma ocasião, o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinhou que a China «apoia a Venezuela na defesa da sua soberania, dignidade e direitos legítimos», refere o Global Times.
Aludindo concretamente ao ataque militar perpetrado pelos EUA contra o país sul-americano a 3 de Janeiro, no âmbito do qual foram raptados o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a sua mulher, Cilia Flores, Guo Jiakun disse que o uso da força pelos EUA contra um Estado soberano e as acções contra a sua liderança «constituem actos hegemónicos que violam gravemente o direito internacional».
Além disso, tais acções «violam a soberania da Venezuela», denunciou, sublinhando que a China está disposta a trabalhar com o mundo para fazer defender firmemente a Carta da ONU, aderir aos princípios da moralidade internacional e salvaguardar a equidade e a justiça internacionais.
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