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Montenegro começou a processar quem o satiriza

Ao estilo de Trump, Luís Montenegro, através do seu gabinete, anunciou que iria instaurar um processo ao autor da página das redes sociais intitulada «Volksvargas». Em causa está uma publicação satírica com um discurso hiperbolizado no qual Luís Montenegro presta vassalagem ao presidente americano.

CréditosEstela Silva / Agência Lusa

Pode ser lido com uma tentativa de condicionamento. Luís Montenegro vai avançar com um processo judicial contra o utilizador que detém a conta «Volksvargas» na rede social X. Acontece que, num momento em que Donald Trump publicou mensagens privadas que recebeu de Mark Rutte e Emmanuel Macron, que traduzem a sua submissão ao presidente norte-americano, o dono da página visada pelo primeiro-ministro português aproveitou o acontecimento, recorrendo à sátira, e fez uma montagem com o que poderia ser uma mensagem enviada por Luís Montenegro.

A montagem, carregada fortemente com ironia, visível pela hiperbolização da linguagem usada, não foi, no entanto, do agrado de Luís Montenegro. De acordo com a nota publicada pelo seu gabinete, o primeiro-ministro considera que o utilizador «Volksvargas» simulou uma mensagem falsamente atribuída ao primeiro-ministro português, cujo intuito era a desinformação.

Neste sentido, a difusão deste conteúdo, classificado como tendo tido «elevada difusão pública», levou a uma resposta formal por parte de Luís Montenegro. «Será apresentada queixa nas instâncias adequadas», afirma o Gabinete, indicando que estão em curso os procedimentos legais para identificar a origem e responsabilizar o autor. 

Entretanto o dono da conta «Volksvargas» já reagiu e num comunicado partilhado em diversas redes sociais esclarece que a sua página «é uma página de sátira política, conhecida por publicar memes». «O texto fictício atribuído ao primeiro-ministro foi escrito de modo a não deixar margem para dúvida de que se trata de uma sátira, incluindo expressões como “supreme leader” e “great architect of our modern times”, e admitindo “sovereign access to our Azores islands”», afirma.

Para o mesmo «não deixa de ser sintomático e lamentável que o Governo não se preocupe com a desinformação propagada pelo Chega, mas procure intimidar uma página satírica ao ponto de querer processar o seu autor».

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