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Uber pede até 400 euros por viagem que custaria 110 em táxi

As plataformas electrónicas já estão a mostrar os resultados da liberalização imposta pelo Governo. A Uber está a cobrar até quatro vezes mais do que custaria uma viagem de táxi entre Faro e Lagos.

CréditosJustin Sullivan / Getty Image

Confirmam-se as denúncias que vêm sendo feitas por taxistas, de que as tarifas dinâmicas praticadas pelas plataformas electrónicas de transporte de passageiros em veículo descaracterizado estão a fazer disparar os preços.

Uma viagem de táxi entre o Aeroporto de Faro e a cidade de Lagos (um percurso de 90 quilómetros) custa entre 95 euros, numa viatura com quatro lugares, e 110 euros, para uma maior. A Uber está a cobrar entre 206 e 273 euros para o serviço UberX e entre 307 e 407 euros para o serviço UberXL (viaturas com mais de quatro lugares para passageiros).

De acordo com capturas de ecrã enviadas ao AbrilAbril, esta é um prática generalizada no Algarve. Uma viagem entre o aeroporto e a vila de Alvor (um percurso de 75 quilómetros), a Uber estava a cobrar entre 168 e 223 euros no serviço UberX e entre 251 e 333 euros no serviço UberXL. Um táxi faria a viagem por 70 euros (até quatro lugares) ou 90 euros (mais de quatro lugares).

Capturas de ecrã com preços praticados pela Uber para viagens entre o Aeroporto de Faro e a cidade de Lagos (esquerda) e a vila de Alvor (direita)

Apesar de a prática não ser exclusiva do Algarve, é nesta região que mais se faz sentir por ser onde há menos táxis a circular. As tarifas dinâmicas também não são um exclusivo da Uber, apesar de esta ter sido a primeira a introduzi-las em Portugal. A Cabify anunciou que passou a praticá-las em Novembro do ano passado, enquanto a Taxify e a Chauffeur Privé, por operarem há menos tempo em Portugal, ainda não as introduziram. No entanto, ambas afirmam que o farão: «A tarifa dinâmica é uma ferramenta crucial neste mercado», disse o presidente executivo da Taxify, David Ferreira da Silva, ao ECO, em Maio.

Os taxistas cumprem hoje o sétimo dia de paralisação nacional, em protesto contra a legalização das plataformas electrónicas em condições que consideram ser de concorrência desleal. Para lá da questão dos preços, que no seu caso estão tabelados, reivindicam ainda a fixação de contingentes (limites de viaturas por município) para as plataformas, tal como acontece actualmente com os táxis.

Ontem manifestaram-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, onde se reuniram com o assessor económico de António Costa, que não deu qualquer resposta aos representantes das organizações representativas do sector.

Para amanhã têm agendada uma concentração junto à Assembleia da República, aproveitando a deslocação do Governo ao Parlamento para participar no debate quinzenal.

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