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Tráfico de seres humanos fez centenas de vítimas no País

Um relatório das Nações Unidas revela que mais de 350 pessoas, entre 2014 e 2018, foram identificadas como vítimas do crime de tráfico de seres humanos em Portugal.

Através deste projecto, o MDM propõe-se «romper silêncios contra esta forma de violência que atenta contra a dignidade e os direitos»
Créditos / Pixabay

Os dados são do Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2020, do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, e demonstram que no País, de 2014 a 2018, foram encontradas 356 pessoas vítimas de tráfico de seres humanos.

São sobretudo homens as vítimas, num total de 221, traficados com o objectivo de serem colocados em trabalho forçado. Só em 2016 foram identificados 105 homens vítimas deste crime. Mas também se registaram 84 mulheres vítimas, 33 raparigas, 14 rapazes e outros quatro casos de menores cujo sexo era desconhecido.

O trabalho escravo é o principal destino, com 268 pessoas traficadas para este fim. Mas também foram traficadas 33 pessoas para serem obrigadas a prostituírem-se. Para além disso, registaram-se quatro casos de adopção ilegal em 2018, e sete de mendicidade forçada.

Para além dos estrangeiros que sofrem no País, há também o caso de vítimas de nacionalidade portuguesa, sendo que «em 2018, 11 cidadãos portugueses foram repatriados de outros países identificados como vítimas de tráfico de seres humanos», pode ler-se no relatório.

São predominantemente homens a cometer este crime. No total dos cinco anos, foram identificadas 150 pessoas suspeitas desta actividade criminosa, num total de 249 casos registados. Porém, mesmo com um aumento de 42,5% de casos entre 2017 e 2018, a tendência é inversa no que respeita ao número de pessoas detidas, identificadas ou levadas à justiça, observando-se uma diminuição de 10%. Segundo o documento, em 2017 houve nove pessoas acusadas por tráfico de seres humanos e oito pessoas efectivamente condenadas.

Portugal encontra-se no grupo dos países do Sul da Europa, onde a incidência destes crimes tem diferente expressão, ainda que a maioria das vítimas identificadas sejam mulheres, sendo na maior parte dos casos objecto de exploração sexual.

Com agência Lusa

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