|Eleições Parlamento Europeu

Resultado eleitoral enfraquece a soberania nacional

Com a manutenção de uma maioria de deputados entre PS e PSD no Parlamento Europeu mantém-se um cenário representativo de uma maioria que não defende a soberania nacional e as populações.

CréditosPatrick Seeger / EPA

Com os resultados praticamente apurados, o PS elege nove eurodeputados, o PSD seis, o BE dois, a CDU dois, CDS-PP e PAN um cada, num quadro em que faltam ainda apurar resultados de consulados mas sem influência na distribuição de mandatos.

A principal conclusão a retirar destas eleições é a manutenção de uma maioria de deputados ao Parlamento Europeu (PE) que tem desenvolvido a sua actividade em consonância com a política definida nas instituições europeias, com todas as consequências negativas para o País, de que são exemplos o Memorando da Troika ou os pactos de estabilidade e crescimento.

Num contexto político bastante diferente daquele que se vivia em 2014, com Portugal a eleger 21 eurodeputados pela segunda vez, num quadro de quebra da representação portuguesa no PE. Em 1999 foram eleitos em Portugal 25 eurodeputados, em 2009 apenas 22.

O resultado, por consequência, traduz-se numa maior dificuldade de voz dos interesses do povo e do País no PE, o que faz redobrar a expectativa e o alerta relativamente às legislativas de Outubro. Desde logo, no que respeita à manutenção e prosseguimento de políticas em sentido positivo para as populações e os trabalhadores, que não seja determinada pela União Europeia (UE) e os seus constrangimentos.

As eleições para o PE registaram hoje em território nacional uma taxa de abstenção de cerca de 69%. Em 2014, nas últimas eleições para o PE, a abstenção situou-se nos 66,2%, tendo sido considerada então a mais elevada de sempre em actos eleitorais.

Perante uma campanha eleitoral em que várias forças políticas, com particular destaque para PS, PSD e CDS-PP, se desviaram das questões centrais para o País, muitos eleitores não terão identificado, por essa via, que estas eleições tivessem relação com a sua vida.

Estas eleições contaram ainda com um projecto piloto do voto electrónico, ao qual aderiram um terço dos votantes do distrito de Évora.

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