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Intempéries: Governo anunciou muito, mas cada novo anúncio foi um acto de propaganda

«Disseram que agora é que ia ser, que os apoios iriam chegar em poucos dias, que não haveria burocracia, mas o que constatámos é que os apoios não chegaram», afirmou Paulo Raimundo nas jornadas parlamentares do PCP.

Créditos Paulo Cunha / Agência Lusa

Este sublinhado do secretário-geral do PCP aconteceu no encerramento das jornadas do grupo parlamentar comunista, realizadas nos distritos de Leiria e Coimbra, com o objectivo de não deixar esquecer «as consequências das intempéries que assolaram o País, e de forma particularmente brutal a região centro». Aliás, o PCP fez do seu Centro de Trabalho na Marinha Grande a sede destas jornadas, considerando a importância que teve durante as intempéries no apoio às populações, fornecendo refeições e alojamento a quem precisou.

Paulo Raimundo referiu que foi a falta de resposta do Governo, passado quase meio ano sobre os temporais, que levou os comunistas, mais uma vez, a estes distritos, constatando «que os apoios não chegaram, que as pessoas continuam entregues a si próprias, que as casas, equipamentos e infra-estruturas danificadas estão, em grande parte, por reparar e demasiadas ainda com candidaturas por avaliar».

Por outro lado, as tempestades vieram também expor de forma evidente, segundo o PCP, «as consequências da liberalização e privatização de sectores estratégicos e as fragilidades de um Estado sem meios e recursos nas suas mãos para mobilizar e intervir», para além da «brutal falta de resposta que ainda hoje se faz sentir das empresas de energia eléctrica, telecomunicações, seguradoras e concessionárias de auto-estradas». Uma vez mais, a política do Governo deixou o País «a reboque da gula de accionistas de empresas estratégicas, outrora públicas, e que deveriam, isso sim, fazer chegar a luz à casa das pessoas, garantir comunicações, proteger as populações e as empresas face a riscos imprevistos e não agir em função dos dividendos», frisou o líder comunista.

Paulo Raimundo abordou ainda o tema do momento, o pacote laboral, alertando que cada deputado e partido terá de decidir na próxima sexta-feira se derrota ou viabiliza mais precariedade, mais desregulação de horários e da vida, mais pressão sobre os salários, mais fragilidade, mais exploração e liberalização dos despedimentos, assim como a «permissão do outsourcing para substituir trabalhadores despedidos, o banco de horas individual, o ataque à greve e à acção sindical».

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