Cerca de uma semana antes do arranque oficial da vindima na Região Demarcada do Douro, os viticultores preparam-se para fazer se ouvir a sua voz numa concentração, junto ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua.
O protesto, convocado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela AVADOURIENSE – Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense, tem início marcado para as 10h00 e promete reunir dezenas de produtores, sobretudo pequenos e médios, que há anos enfrentam as mesmas dificuldades.
Em ano de nova colheita, os agricultores denunciam a repetição de problemas que se arrastam sem solução: uvas vindimadas que não encontram comprador, ausência de preços definidos, falta de datas para pagamento e custos de produção que continuam a aumentar, tornando a actividade cada vez menos rentável. «Não queremos mais promessas. Precisamos de medidas concretas e imediatas para esta vindima», sublinha o comunicado divulgado esta quarta-feira pelas duas organizações.
No ano passado, a pressão dos viticultores, em estreita articulação com a CNA e a AVADOURIENSE, levou o Governo a reconhecer publicamente a existência de um «problema estrutural» no Douro, no entanto, a resposta tem sido lenta e insuficiente, segundo os produtores. Ainda esta semana, o IVDP apresentou mais um plano para a região, mas os agricultores consideram que o documento peca escasso.
Os viticultores recordam que, há um ano, estava em vigor uma medida de destilação de crise que, embora insuficiente, dava algum alívio ao sector. Este ano, apesar da Assembleia da República ter aprovado, com larga maioria, uma resolução que apela à implementação de mecanismos semelhantes, até ao momento não houve qualquer avanço concreto.
Entre as reivindicações que serão levadas à rua, destacam-se a garantia de escoamento de toda a produção, a fixação de preços justos para as uvas, a celebração antecipada de contratos entre produtores e compradores, e a definição de um plano de emergência que assegure a sustentabilidade da vinha na região. Os manifestantes exigem ainda que o Governo e o IVDP assumam compromissos com prazos e metas claras, abandonando a lógica de «medidas avulso» que, dizem, só têm agravado a incerteza.
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