A defesa do direito à habitação pintou a Avenida da Liberdade, em Lisboa, com cartazes a pedir respostas contra o contínuo aumento dos preços das casas. Com palavras de ordem como «Menos renda e mais salário» ou «Do bairro à cidade, queremos dignidade», ao ritmo da música tocada em tambores, milhares de manifestantes desceram a avenida com cartazes em que se liam mensagens como «Fartos de escolher pagar renda ou comer».
O protesto «Casas para viver» foi promovido pela plataforma Casa Para Viver, que na semana passada qualificou de «irresponsáveis» as mais recentes medidas do Governo para responder à crise na habitação, em particular aquelas que tornam mais céleres os despejos. Também o movimento Porta a Porta, de defesa do direito constitucional à habitação, alertou que «os números, do INE [Instituto Nacional de Estatística] e de Bruxelas não deixam margem para dúvidas sobre o quanto as políticas deste Governo aceleraram e agravaram a situação que vivemos».
Em Lisboa, a cidade da União Europeia (UE) onde os habitantes destinam uma maior percentagem do salário para pagar a habitação – segundo um relatório do Conselho Europeu que revela que os lisboetas destinam 116% do salário para habitação –, a manifestação juntou jovens directamente afectados e pessoas com casa própria que, mesmo sendo proprietárias, apontam os preços elevados como uma das maiores crises em Portugal.
«Já não dá» é a palavra de ordem do manifesto subscrito por 90 associações, colectivos, cooperativas, movimentos e sindicatos, que hoje saíram à rua em Aveiro, Barreiro, Benavente, Braga, Coimbra, Covilhã, Faro, Funchal, Lagos, Leiria, Lisboa, Ponta Delgada, Portalegre, Porto, Vila Nova de Santo André e Viseu. Entre várias denúncias, como o valor de 2300 euros considerado pelo Governo de renda moderada, e exigências, designadamente o travão às rendas, o documento esboça o retrato da realidade, em que mais de metade das pessoas que trabalham neste país ganham menos de 1000 euros. «Mães sozinhas com crianças são despejadas, famílias vivem amontoadas, outras regressam a barracas sem água nem luz, e há quem volte do trabalho para dormir numa tenda», denuncia.
Esta sexta-feira, ficámos a saber que 1447 famílias foram despejadas em 2025, o que representa um aumento de 44% face ao ano anterior. Por isso, entre as reivindicações que hoje saíram à rua está o aumento da duração dos arrendamentos, para um mínimo de dez anos, rendas mais baixas e reguladas e o fim dos despejos.
«Habitação não é mercadoria»
Partindo da Praça da Batalha e percorrendo várias artérias do centro do Porto, como as ruas de Passos Manuel ou de Santa Catarina, terminando na Praça D. João I, os manifestantes fizeram-se ouvir com palavras de ordem como «a habitação é um direito, sem ele nada feito» ou «gente na rua, casa vazia, habitação não é mercadoria».
Pelas ruas viam-se cartazes com mensagens como «enquanto a habitação for um negócio o caminho só pode ser este», «fim dos benefícios fiscais à habitação», «limitar as prestações bancárias a 35% dos rendimentos», «mais habitação pública», «habitação para todos é direito constitucional» ou «vizinhos em vias de extinção».
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