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Crescimento de 2,8% do PIB no 2.º trimestre do ano

Segundo as primeiras estimativas para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo triemestre deste ano, divulgadas esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia cresceu neste período 2,8% comparativamente ao ano anterior. No entanto, o crescimento das importações continua superior ao das exportações.

Créditos / Agência LUSA

O INE justifica este crescimento do PIB com um significativo contributo da procura interna, em especial do investimento, ao mesmo tempo que a procura externa líquida – constituída pela diferença entre o ritmo de crescimento das exportações menos o ritmo das importações – teve um contributo ligeiramente negativo. Constata-se que só foi possível crescer ao mesmo ritmo do primeiro trimestre uma vez que a aceleração da procura interna compensou o contributo agora negativo da procura externa líquida.

Se por um lado estes dados confirmam um ritmo de crescimento bem superior ao que se vinha a registar antes, também fica espelhada uma das grandes limitações da economia do País, nomeadamente o facto do estado do aparelho produtivo nacional impedirem-no de responder ao crescimento da procura interna – consumo e investimento – e da procura externa, o que conduz ao crescimento das importações superior ao das exportações, com consequências no agravamento da balança de mercadorias. Os bons resultados da balança de serviços, e em especial da balança de turismo, têm permitido nos últimos anos cobrir parte desta situação de défice crónico.

Nas reacções a estes dados, o ministro das Finanças, Mário Centeno, destacou à imprensa que «a nossa economia cresce pelo 15.º mês consecutivo», acima do crescimento da União Europeia, avançando que a redução da carga fiscal dos rendimentos mais baixos «vai ser concretizada e implementada no ano 2018 porque foram criadas as condições orçamentais de crescimento da economia, para que assim seja».

Vasco Cardoso, da Comissão Política do Comité Central do PCP, sublinha dois aspectos acerca do crescimento: que se confirma que «não é cortando nos salários, nas reformas, nas pensões, nos serviços públicos, no investimento público, como vinha acontecendo com sucessivos governos, nomeadamente com o governo do PSD e CDS, que a economia pode crescer e que o País pode avançar». Por outro lado, considera que os dados também revelam «os limites da condição económica do País», na medida em que, «com o aumento do consumo, do investimento e das exportações, tem aumentado também significativamente as importações, sendo por isso necessário apoiar o aparelho produtivo nacional», reforçando que «é preciso substituir importações por produção nacional para permitir que o crescimento verificado não seja só um elemento de passagem, mas um elemento sólido».

O deputado do PS, João Galamba, afirmou aos jornalistas que estes números «não são independentes da estratégia de aposta na recuperação de rendimentos e do crescimento do emprego dos portugueses», enquanto Joana Mortágua, deputada do BE, saudando os resultados, «alerta que eles têm de ser acompanhados por um crescimento do emprego com direitos».

Já o PSD, pela voz do deputado Duarte Pacheco, afimou que «são números positivos», que só «com o trabalho de muita gente, muitas empresas, foi possível alcançar», alertando no entanto que o Governo deveria aproveitar «um momento de conjuntura favorável – com o turismo em alta e a Europa a puxar por nós – para fazer as reformas de que o País precisa» e prepará-lo para «tempos de tempestade».

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