|Agricultura

CNA exige outra política em balanço dos incêndios de Outubro

«Um ano após a tragédia», a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) realça que o papel do Governo ficou muito aquém do necessário, estando a recuperação que se exige mais do que atrasada.

Zona do Pinhal de Leiria consumido pelas chamas de dia 15 de Outubro e onde se estima que tenha ardido 80% da sua área, Marinha Grande, 17 de outubro de 2017
Zona do Pinhal de Leiria consumido pelas chamas de dia 15 de Outubro e onde se estima que tenha ardido 80% da sua área, Marinha Grande, 17 de outubro de 2017CréditosMiguel A. Lopes / Agência LUSA

Em comunicado, a estrutura representativa dos agricultores não faz um balanço positivo do modo como «vão as coisas», afirmando que, «lamentavelmente, "as coisas" não têm andado bem», um ano após os incêndios de 15 e 16 de Outubro que devastaram vários distritos da região Centro.

No geral, «a floresta, na sua grande parte, permanece queimada e a ser pasto de pragas e doenças que, agora, estão a dizimar o pinhal que não ardeu no fogo, enquanto eucaliptos e mimosas alastram em força», afirma a CNA. Esta sublina ainda que a recuperação das habitações ardidas está também muito atrasada.

Destacando que o rasto de destruição deixado pelo fogo exigia do Governo um tratamento de «cuidados intensivos», a CNA acusa o último de fazer, sobretudo, propaganda e frisa que «a realidade mostra que a recuperação que se exige está mais do que atrasada».

«Na agricultura, a ajuda até aos 5 mil euros por lesado foi a seguir reduzida, sem explicações, (...) enquanto muitos outros candidatos, que até fizeram a primeira “declaração de prejuízos”, não foram depois admitidos, num processo cheio de confusões engendradas pelo Ministério da Agricultura», lê-se.

Em causa está a insatisfasção de muitos produtores, que, em vários protestos ao longo do ano, denunciaram a burocracia dos processos de ajuda e os atrasos do Ministério da Agricultura que dificultou a chegada da necessária ajuda. Entre estes, contam-se os protestos de centenas de agricultores que foram excluídos e que exigiram a reabertura das candidaturas e a revisão das tabelas.

A estrutura frisa ainda que o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) não tem «correspondido às necessidades», realçando várias medidas de apoio que considera desadequadas, além de registar atrasos e bloqueios da parte do Ministério da Agricultura por alegada «falta de verba».

Por sua vez, a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e a CNA afirmam ser necessária a definição e aplicação urgente de uma outra política, que passe por maior apoio do Governo e colaboração com os diversos meios no terreno, nomeadamente na prevenção, recuperação e ordenamento da floresta, além do «severo controlo do eucalipto e da mimosa» e das pragas e doenças.

Tópico