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CNA contesta organização da Cimeira sobre Sistemas Alimentares

A Confederação Nacional da Agricultura integra-se num amplo movimento social que contesta a parceria entre a ONU e o Fórum Económico Mundial para organizar a Cimeira sobre Sistemas Alimentares.

Em discussão no 2.º Fórum Nyéléni Europa estará a construção da soberania alimentar
A CNA pede ao Governo português que defenda os interesses da agricultura nacional e da soberania alimentar Créditos / CC BY-SA 4.0

Numa nota à imprensa, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) destaca que é uma das 550 organizações e movimentos sociais que enviaram uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, solicitando-lhe que ponha fim ao acordo de parceria, firmado em Junho de 2019, entre a ONU e o Fórum Económico Mundial (FEM) com vista à organização da Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares, em 2021.

«O FEM representa as corporações transnacionais e o agronegócio que lucram com a agricultura, a pecuária e a pesca industriais», denuncia a CNA, que as acusa de ser responsáveis pela «destruição dos ecossistemas, pela apropriação de terras, da água e dos recursos naturais».

São igualmente responsáveis, no entender da Confederação, «pela erosão dos meios de subsistência das comunidades rurais e dos povos indígenas, pela perpetuação de condições abusivas de trabalho, pela criação de problemas de saúde e por uma proporção significativa de emissões de gases de efeito estufa».

Para a CNA, «a agricultura familiar, que produz mais de 80% dos alimentos do mundo, deveria ocupar a centralidade desta Cimeira», sobretudo na Década da Agricultura Familiar (2019-2028), que foi decretada pelas Nações Unidas.

O objectivo desta «importante cimeira» deveria ser o de envolver «os países mais afectados pela fome e pela crise climática e sanitária», afirma a Confederação, que insiste na defesa de um «formato verdadeiramente democrático, transparente e transformador», de modo a permitir alcançar o Objectivo do Desenvolvimento Sustentável 2.1: «Até 2030, eliminar a fome e garantir o acesso de todos, especialmente as pessoas pobres e vulneráveis, a uma dieta saudável, nutritiva e adequada às tradições alimentares de cada povo».

É por isso que a CNA «participa activamente» na «campanha de denúncia e de esclarecimento» sobre a «deturpação que se está a verificar nos objectivos e na organização desta Cimeira».

É também neste sentido que a Confederação apela ao Governo português para que «defenda os interesses da agricultura nacional e da soberania alimentar, impedindo que as grandes multinacionais venham a determinar as principais "conclusões" da Cimeira».

«Nuvem sobre a integridade da ONU como sistema multilateral»

Na carta que enviaram a António Guterres, as 550 organizações subscritores afirmam que esta Cimeira não está a ser construída sobre o legado de outras, «claramente ancoradas na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e que resultaram na criação de mecanismos de governação inovadores, inclusivos e participativos».

Também alertam que o acordo de parceria estratégica ONU-FEM «lança uma nuvem sobre a integridade das Nações Unidas como sistema multilateral».

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