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Utentes não aguentam aumento de 10% nas portagens

Se não for aplicado um travão, as famílias ficam à mercê das (más) intenções da Brisa, alertam as comissões de utentes do Médio Tejo. Empresa prepara-se para aumentar as portagens ao nível da taxa de inflação.

Os utentes exigem a abolição das portagens, esclarecendo que faltam vias alternativas e seguras
Os utentes exigem a abolição das portagens, esclarecendo que faltam vias alternativas e seguras Créditos / Razão Automóvel

«O governo, a sua maioria absoluta na Assembleia da República e os seus autarcas têm a oportunidade de resolver este assunto em sede de Orçamento do Estado para 2023», defendem, em comunicado enviado ao AbrilAbril, as Comissões de Utentes dos Serviços Públicos da Região do Médio Tejo.

O mote para os aumentos significativos nos valores cobrados aos autentes das autoestradas foi dado por António Pires de Lima, antigo ministro do Governo PSD/CDS-PP de Passos Coelho e, actualmente, director-executivo da Brisa, em Agosto: «As portagens estão directamente relacionadas com a inflação, é o indicador de inflação em Outubro que vai determinar o valor das portagens».

A inflação, nos últimos meses, tem estabilizado, apresentando um crescimento em Setembro para os 9,3%, o valor mais elevado dos últimos 30 anos. Sem qualquer perspectiva de desaceleração, os utentes das autoestradas podem contar com um aumento na ordem dos 9, 10% em 2023.

A alternativa aos aumentos para os utentes não é, de todo, uma alternativa credível. Pires de Lima já avisou que, der por onde der, nos lucros da Brisa, e dos seus administradores, não é para mexer. Os preços só não aumentarão se o Estado mostrar «abertura para encontrar mecanismos que compensem a Brisa desse aumento», avisou.

PS luta para defender os lucros das concessões privadas das autoestradas

O que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta, porque o Governo PS não demonstrou qualquer disponibilidade para dinamizar uma descida de preços. Ainda sem maioria absoluta, o PS chegou a armar uma artimanha para evitar cumprir o corte de 50% no valor das portagens que a AR tinha aprovado. 

«As famílias e actividades económicas são mais uma vez castigadas», indefesas perante um conselho de administração e um Governo que apenas almejam o lucro dos privados. «O que se exige», defendem as comissões de utentes, «é a abolição das portagens na A23 e A13, em nome da coesão territorial e do desenvolvimento económico e social» da região.

A Brisa Concessão Rodoviária, empresa que faz a gestão das principais autoestradas em Portugal, registou, no primeiro semestre de 2022, lucros de 91,8 milhões de euros, o que representa uma subida de 76,4%  face aos 52 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Em 2019, antes da pandemia, os resultados líquidos representaram um aumento de 10,2%.

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