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Seguros de saúde e manutenção da EMEL para residentes, o que propõe Moedas

No programa do antigo interlocutor da troika constam medidas como uma EMEL «mais barata», seguros de saúde para maiores de 65 anos «que precisem» e acabar com o comboio de superfície até ao Cais do Sodré.  

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

A proposta relativa à saúde é coerente com o que foi o legado do governo do PSD e do CDS-PP, em que Carlos Moedas foi secretário de Estado e interlocutor da troika, onde se registou a perda de cerca de sete mil profissionais e o investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) sofreu um corte de mais de mil milhões de euros.

Em vez de reivindicar o reforço do SNS, o programa do candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, que concorre às eleições do próximo domingo em coligação com o CDS-PP, PPM, MPT e Aliança, pisca o olho aos interesses dos grupos privados da saúde com o que diz ser a «construção de um Estado Social local mais forte». A «oferta» de seguros de saúde a «todos» os lisboetas com mais de 65 anos «que precisem» é a proposta do candidato que tem feito campanha com o slogan «Novos Tempos».

Relativamente a constrangimentos que os lisboetas enfrentam, como é o caso do estacionamento, Carlos Moedas admite que os residentes continuem a pagar, propondo que as tarifas baixem 50% e que os lucros da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL) «sirvam» os lisboetas. 

No plano dos transportes públicos, que só se mantêm porque foi possível reverter a decisão do governo do PSD e do CDS-PP, que já tinha avançado, no caso de Lisboa, com a concessão da Carris e do Metro de Lisboa à espanhola Avanza, Moedas propõe agora um «passe gratuito da Carris» aos lisboetas sub-23 e com mais de 65 anos.

O candidato da coligação de direita afirma no seu programa que criar o hábito de andar de transportes «é importante para fazer a transição verde de que precisamos», não obstante PSD e CDS-PP terem votado contra a redução dos passes na Assembleia da República, e os social-democratas terem-lhe chamado até uma medida eleitoralista.  

Em matéria de mobilidade e transportes, o programa de Carlos Moedas propõe ainda eliminar o que diz ser a «barreira ferroviária» entre a cidade e o rio, «acabando com a linha de comboio de superfície entre Algés e o Cais do Sodré», mas sem fornecer detalhes. 

Entre outras medidas, à semelhança de Rui Moreira, que no seu manifesto à Invicta propõe a redução do IMI para os jovens até aos 35 anos, o ex-comissário europeu propõe isentar os jovens até 35 anos, que comprem habitação própria em Lisboa, do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), reforçando os benefícios das classes com mais altos rendimentos, que são as que efectivamente conseguem comprar casa na capital.

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