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Moradores do «Jamaika» demarcam-se dos protestos

A Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos afirma que os moradores do bairro não estiveram envolvidos nos protestos recentes, nem vão participar no protesto em frente à Câmara do Seixal. O tema não escapou ao debate quinzenal. 

No bairro de Vale de Chícharos, mais conhecido por Bairro da Jamaica, vivem cerca de 1300 pessoas em risco permanente
No bairro de Vale de Chícharos, mais conhecido por Bairro da Jamaica, vivem cerca de 1300 pessoas em risco permanenteCréditos / Mapio.net

Num comunicado emitido ontem, a Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, representativa dos moradores do bairro «Jamaika», nega qualquer envolvimento da população nos protestos.

No documento, a estrutura informa que «nem os moradores do bairro da Jamaika, nem a família Coxi, estiveram envolvidos na convocatória e na manifestação que decorreu em Lisboa no passado dia 21 de Janeiro».

«Não estamos, de igual modo, a organizar nenhuma manifestação para amanhã em frente à Câmara Municipal do Seixal e não iremos participar nas manifestações agendadas», acrescentam.

A associação de moradores afirma ainda que «as notícias que as estações televisivas estão a transmitir são inteiramente falsas e todas elas já foram informadas sobre essa situação e dos riscos decorrentes».

«Tudo o que queremos de momento é retomar as nossas rotinas diárias e seguir em frente», lê-se no fim do documento assinado por várias pessoas, entre as quais da família Coxi e Dirce Noronha, presidente da associação.

Moradores rejeitam espiral de violência

Em declarações à Rádio Renascença, a presidente da Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, Dirce Noronha, afirmou que toda a situação decorrente dos eventos passados no bairro está a agravar ainda mais o problema.

«Está a gerar mais discordâncias. Está a gerar, de ambos os lados, a um apelo à violência, a coisas que não têm nada a haver com a situação», frisou, tendo acrescentado ainda que os moradores do Jamaica «estão tristes» com a onda de violência que surgiu após agressões do fim-de-semana.

«Aqui o problema são as condições de vida»

O tema do Bairro da Jamaica voltou a ser introduzido esta sexta-feira no debate quinzenal por Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP afirmou que «a denúncia da violência policial deve ser cabalmente investigada, mas não deve ser instrumentalizada».

O deputado recordou a proposta do PCP discutida na semana passada «para resolver os graves problemas de saúde e segurança no trabalho que atingem os profissionais das forças e serviços de segurança», que acabou por ser chumbada pelo PS, PSD e CDS-PP. Partidos que, acusou Jerónimo de Sousa, «enchem os discursos de referências a estes profissionais, mas parecem não estar preocupados com os seus problemas».

Em resposta ao eleito comunista, António Costa falou sobre o trabalho iniciado em Dezembro, em parceria com a Câmara Municipal do Seixal, de realojamento de 64 famílias, num total de 187 pessoas, sublinhando que «não vale a pena ter ilusões, aqui o problema é mesmo de condições de vida». O realojamento das famílias deste bairro, admitiu António Costa, deverá estar concluído em 2021.  

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