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Águas do Alto Minho: Autarcas «cansados» de erros não honram palavra

Em Fevereiro, as Câmaras do distrito de Viana do Castelo deram a factura deste mês como limite para a resolução dos erros de facturação, mas a situação voltou a repetir-se e não foram tomadas medidas.

Privatizar a água é comprometer um bem essencial à vida
Privatizar a água é comprometer um bem essencial à vidaCréditos / Pixabay

Foi numa conferência de imprensa, em Fevereiro, que os sete autarcas do distrito de Viana do Castelo que aderiram à empresa de gestão das redes de abastecimento de água e saneamento Águas do Alto Minho (AdAM), depois de fortes queixas da população, se declararam «fartos e cansados» de problemas, como «facturas fora de horas» ou «valores exorbitantes cobrados pela empresa», tendo dado como limite para a resolução dos erros a factura de Março. Caso contrário, admitiram que tomariam medidas. 

A ameaça não foi levada a sério pela empresa, que este mês voltou a cobrar mais do que o devido, e da parte dos presidentes de Câmara também não foram tomadas medidas. Ou melhor, já tinham sido tomadas, mas em defesa da empresa, denuncia a CDU, através de comunicado. 

«Procurando esconder responsabilidades próprias e proteger a empresa, várias autarquias colocaram funcionários municipais ao serviço [da AdAm] para procurar responder aos milhares de protestos e reclamações», critica. 

A coligação PCP-PEV, que volta a exigir o regresso da gestão da água aos municípios e a extinção da AdAM, censura os sete autarcas por não honrarem a palavra dada e continuarem «empenhados» em defender «esta solução desastrosa», onde os utentes são confrontados com situações como facturações indevidas e a manutenção das transferências bancárias, apesar de terem procedido ao cancelamento do pagamento da água por débito directo. 

Acrescenta que os presidentes de Câmara «não podem alegar» que foram enganados ou que desconheciam as consequências deste processo. «Há dois anos que a CDU tem vindo a alertar e denunciar que este caminho conduziria à degradação do serviço e ao aumento dos preços», mesmo assim, refere-se na nota, os presidentes de Câmara «decidiram embarcar nesta negociata, com os resultados que estão à vista de todos».

A AdAM é detida em 51% pela Águas de Portugal (AdP) e em 49% pelos municípios de Arcos de Valdevez (PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PSD), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (Movimento PenCe – Pensar Cerveira), que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

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