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Venezuela: Filven foi festa da cultura e «um passo para a descolonização»

A XVIII edição da Feira Internacional do Livro da Venezuela (Filven) trouxe a Caracas escritores, poetas e jornalistas de várias partes do mundo. O país convidado era todo um continente: África.

Filven 2022, em Caracas 
Filven 2022, em Caracas Créditos / Prensa Latina

Os 11 dias do evento, que decorreu sob o lema «Ler descoloniza» e foi dedicado a África, abrangeu mais de 600 actividades na Galeria de Arte Nacional, onde 120 stands receberam centenas de visitantes.

No âmbito das iniciativas programadas, foram homenageados os escritores Carmen Clemente Travieso, Iraida Vargas e Mario Sanoja, a cujas obras reeditadas o público pôde aceder.

Na festa de encerramento, este domingo, o ministro venezuelano da Cultura, Ernesto Villegas, destacou que nenhuma das actividades programadas foi suspensa e comparou os resultados do evento a «um tremendo golaço da cultura, da vida e do povo».

Referindo-se à presença africana no evento, Villegas afirmou que a Filven representou «um passo na descolonização», com a aproximação a África. «Reconhecemo-nos nessa raiz que, entre outras, integram a venezuelanidade», disse, citado pela VTV.

Por seu lado, o presidente do Centro Nacional do Livro da Venezuela (Cenal), Raúl Cazal, informou que na Filven estiveram presentes 20 editoriais internacionais e 57 nacionais.

Disse ainda que o evento cultural contou com a presença de 65 convidados de 18 estados venezuelanos e que, entre os convidados internacionais, estiveram representantes de Angola, Senegal, Egipto, Burkina Faso, Moçambique, África do Sul, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Gâmbia, Gana, Tunísia, República Democrática do Congo e Argélia.

Cazal agradeceu ao público, aos escritores e aos leitores, que, juntamente com o povo, «mostraram que "ler descoloniza" e permite alcançar um país muito melhor».

Cerimónia de encerramento da Filven 2022, a 20 de Novembro de 2022 / VTV

Ainda no âmbito do encerramento do evento, foi revelado que o vencedor da V Bienal de Poesía Juan Beroes foi o colombiano Javier Bosch, cujo prémio foi  recebido pelo embaixador da Colômbia em Caracas, Armando Benedetti.

A obra de Javier Bosch destacou-se entre as mais de 300 que foram enviadas a um evento que é organizado pela governação do estado de Táchira e no qual só podem participar escritores nascidos na Venezuela e na Colômbia.

Raúl Cazal deu ainda informações sobre os livros mais vendidos nesta XVIII edição da Filven, onde sobressaiu La Era del Conspiracionismo, de Ignacio Ramonet.

Também já se ficou a saber que a XIX edição da Feira Internacional do Livro da Venezuela terá a Colômbia como país «convidado de honra».

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