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Uber sofre derrota em Nova Iorque com travão à liberalização

O Conselho Municipal de Nova Iorque, a principal cidade onde a Uber opera, impôs uma moratória de um ano sobre novas licenças para veículos de aluguer com condutor e a introdução de um salário mínimo.

CréditosJustin Sullivan / Getty Image

O órgão legislativo da Cidade de Nova Iorque aprovou ontem, na sua reunião, um pacote regulamentar que proíbe a emissão de novas licenças para veículos de aluguer com condutor e cria um salário mínimo para os motoristas das plataformas electrónicas de transporte como a Uber, segundo o Washington Post.

As medidas, que terão de ser ratificadas pelo presidente da Câmara, Bill de Blasio, um apoiante das restrições a essas plataformas, são inéditas nos EUA e logo na principal cidade para o negócio da Uber.

Motoristas ganham abaixo do salário mínimo

As empresas, como em Portugal, refugiam-se atrás do argumento de que os motoristas são «parceiros» e não trabalhadores para impor condições de trabalho abaixo dos mínimos legais, nomeadamente na retribuição. Com a aprovação das novas medidas, os motoristas conseguem uma importante vitória, depois de vários anos a denunciar que os seus salários os colocam abaixo do limiar de pobreza, nota a Vox.

Os engarrafamentos de trânsito na Cidade de Nova Iorque têm-se agravado nos últimos anos, coincidindo com o aumento do número de veículos ao serviço da Uber e da Lyft

Segundo um estudo encomendado pela Comissão de Táxis e Limusinas da Cidade de Nova Iorque, os motoristas deviam receber 17,22 dólares por hora para levarem para casa o equivalente ao salário mínimo de 15 dólares, tendo em conta as despesas inerentes ao veículo e aos impostos que lhes são imputados.

Carros das plataformas invadiram ruas da cidade

Segundo os dados oficiais da autoridade de transportes da cidade, o número de veículos de aluguer com motorista quase duplicou nos últimos quatro anos e, dos 120 mil veículos actualmente licenciados, 80 mil estão afectos às plataformas electrónicas, particularmente aos gigantes Uber e Lyft.

Após a entrada em vigor das novas restrições, esse número não poderá crescer durante um ano. No entanto, a Uber, após lamentar a decisão, já anunciou a sua estratégia para o próximo ano: recrutar os cerca de 40 mil veículos que ainda lhe escapam ao controlo na cidade mais populosa dos EUA.

Para além do efeito directo nas receitas dos gigantes grupos económicos que detêm as plataformas através da fixação de um salário mínimo, a sua própria estratégia de «afogar» os concorrentes, com o crescente número de carros a circular pela cidade, é posta em causa.

Segundo as estatísticas oficiais, o número de táxis tradicionais tem vindo a descer ao longo dos últimos anos, apesar das dificuldades de mobilidade na cidade se terem vindo a agravar – em parte, com a afluência de dezenas de milhares de veículos ao serviço da Uber e da Lyft.

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