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Trabalhadores gregos protestam contra reformas laborais da direita

Pela segunda vez numa semana, esta quarta-feira milhares de trabalhadores gregos fizeram greve e manifestaram-se contra a legislação laboral que o governo de Mitsotakis quer implementar.

Milhares de trabalhadores manifestaram-se em Atenas contra o projecto de alteração da legislação laboral do governo grego
Milhares de trabalhadores manifestaram-se em Atenas contra o projecto de alteração da legislação laboral do governo grego Créditos / idcommunism.com

Depois dos funcionários públicos no passado dia 24 de Setembro, ontem foi a vez de os trabalhadores do sector privado responderem de «forma massiva» à convocatória de greve geral realizada pelas centrais sindicais, incluindo a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME).

A greve de 24 horas parou a Grécia, afirma a Euro News, referindo que os barcos não saíram dos portos, os comboios e quase todos os transportes estiveram parados, e os bancos interromperam os seus serviços.

No segundo protesto do género no espaço de uma semana, milhares de trabalhadores manifestaram-se em diversas cidades do país, sendo as maiores mobilizações as que ocorreram em Salónica e Atenas, onde os manifestantes se dirigiram até ao Parlamento mostrando faixas em que se lia inscrições como «Tirem as mão das greves, tirem as mão dos sindicatos!» e «Eles não vão parar a menos que tu os pares!».

Na semana passada, milhares de professores, trabalhadores dos órgãos de comunicação, trabalhadores portuários, funcionários municipais, pensionistas e estudantes marcharam com as mesmas reivindicações: denunciar as privatizações planeadas pelo governo da Nova Democracia, o impacto da austeridade do «resgate» financeiro, concluído em 2018, e as alterações na legislação laboral gravosas para os trabalhadores e as organizações que os representam, indica a Prensa Latina.

Em declarações à Euro News, Kostas Drakos, dirigente do Sindicato dos Contabilistas, sublinhou que o projecto de lei é uma afronta aos sindicatos, na sequência dos golpes que já lhes tinham sido desferidos pelo governo do Syriza. «Os sindicatos não podem decidir, não podem convocar um plenário, os trabalhadores não podem participar e decidir lutar pelos seus direitos, pelos acordos colectivos de trabalho», denunciou.

Para os sindicatos, o projecto, que deve ser votado ainda este mês, «é um fato à medida das empresas». Neste sentido, Dina Gogaki, do Sindicato dos Estudantes, afirmou que «o governo está a dar praticamente tudo às empresas e desferindo um golpe às acções colectivas dos trabalhadores e aos sindicatos», limitando o direito à greve.

Já o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, acusou os organizadores de «terem feito sofrer milhões de gregos» com a greve e de estarem «afastados da realidade», uma vez que as propostas do governo «estão concebidas para que a tomada de decisões sobre a greve sejam mais inclusivas», refere a Reuters.

No entanto, os sindicatos acusam o governo de direita de os procurar «controlar e enfraquecer», sublinhando que estas greves são só o início da «guerra» contra um projecto de lei que também «não vai gerar mais emprego», tal como o governo anuncia.

Actualmente, o desemprego ronda os 17% – o mais elevado da zona euro. A Grécia saiu do chamado terceiro programa de resgate em 2018, e o progresso das reformas fiscais e de pensões continua a ser monitorizado pelos credores, segundo a refere a Reuters.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu maior flexibilidade no mercado laboral e uma maior oferta de opções aos patrões para cortar custos.

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