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Trabalhadores franceses solidários com sindicalista da CGT intimado

A CGT denuncia uma vaga de «repressão», a propósito da intimação do dirigente sindical Sébastien Menesplier, que a Justiça acusa de estar ligado a um apagão nos protestos contra a reforma das pensões.

O dirigente sindical Sébastien Menesplier, na quarta-feira, ao comparecer na esquadra da Gendarmeria em Montmorency, apoiado por centenas de pessoas 
O dirigente sindical Sébastien Menesplier, na quarta-feira, ao comparecer na esquadra da Gendarmeria em Montmorency, apoiado por centenas de pessoas Créditos / cgt.fr

Sébastien Menesplier, dirigente da Federação Nacional de Minas e Energia (FNME/CGT), teve de comparecer, no dia 6, numa esquadra da Gendarmeria em Montmorency (arredores de Paris), no âmbito de uma investigação em curso sobre cortes de energia durante os protestos contra a reforma das pensões que o governo de Macron aprovou por decreto.

Centenas de trabalhadores mobilizaram-se em seu apoio, muitos dos quais filiados na Confederação Geral do Trabalho (CGT), mas também mobilizados pelo Partido Comunista (PCF) e o Movimento dos Jovens Comunistas de França (MJCF), entre outras organizações.

Segundo refere o Peoples Dispatch, estas organizações caracterizaram a intimação de Menesplier como uma «inaceitável tentativa de intimidação», num contexto mais amplo de «repressão contra os sindicatos».

Num comunicado publicado na véspera, a CGT sublinha que «o princípio da liberdade sindical é um direito fundamental consagrado na lei desde 1884», mas que «a repressão e a discriminação contra activistas sindicais estão a aumentar».

«Estas estratégias de intimidação contra os sindicatos são graves e não são isoladas: mais de 400 militantes da CGT são hoje processados ​​em tribunal por terem realizado acções de luta contra a reforma das pensões», denuncia a central sindical no documento que emitiu dia 5.

«Todas estas intimações são altamente políticas: o poder está a dar um novo passo na repressão sindical contra os trabalhadores e dirigentes da CGT, o que contribui para deteriorar a relação entre sindicatos, governo e patronato», alerta.

A secretária-geral da CGT, Sophie Binet, esteve presente na mobilização de quarta-feira, tendo declarado que «o governo deve compreender que esta repressão tem de parar». «Se houver processos judiciais contra ele [Menesplier], a revolta social será expressa e a CGT estará lá para organizar essa revolta», afirmou.

Milhares de pessoas juntaram-se em Niort, esta sexta-feira, para apoiar sindicalistas e activistas ali julgados / @lessoulevements

A central sindical anunciou que a luta iria continuar esta sexta-feira em Niort (Oeste), com uma mobilização de apoio ao dirigente departamental da CGT David Bodin.

E continuou, pois milhares de pessoas juntaram-se, ontem, para apoiar Bodin e os demais sindicalistas e activistas, julgados num processo em que são acusados de terem organizado manifestações não autorizadas contra a privatização da água na região de Deux-Sèvres.

De acordo com a CGT, há actualmente mais de mil militantes sob ameaça de despedimento, de sanções disciplinares, intimações ou processos judiciais.

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