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Trabalhadores exigem industrialização e futuro para as comarcas de Ferrolterra

O Dia da Classe Operária Galega ficou marcado por uma greve geral nas comarcas de Ferrol, Eume e Ortegal. Milhares de pessoas manifestaram-se para exigir políticas que travem o declínio da região.

Milhares de trabalhadores exigiram futuro e direitos para as comarcas galegas de Ferrol, Eume e Ortegal
Milhares de trabalhadores exigiram futuro e direitos para as comarcas galegas de Ferrol, Eume e Ortegal Créditos / cig.gal

A greve geral desta quarta-feira nas três comarcas do Nordeste da província da Corunha, convocada conjuntamente por CIG, CCOO e UGT, foi um «êxito» e teve uma «adesão massiva», segundo informa a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal.

Zonas industriais paralisadas, incluindo o sector naval, grandes empresas como Inditex ou Indipunt sem actividade, comércio e hotelaria encerrados, transporte urbano a funcionar nos mínimos, recolha de lixo sem sair marcaram o cenário de Ferrolterra neste 10 de Março, Dia da Classe Operária Galega.

«Estas comarcas necessitam que esta greve seja um êxito», disse o secretário da CIG-Ferrol, Manuel Anxo Grandal, pouco antes de arrancar a manifestação em que participaram milhares de pessoas, para exigir «políticas e investimentos que nos permitam ter futuro».

A marcha, que atravessou Ferrol até à Porta Nova, recebeu também o apoio de trabalhadores de grandes indústrias que estão em luta, como Alcoa San Cibrao, Alu Ibérica da Coruña, Ferroatlántica ou Celsa Atlantic, evidenciando desta forma a «grave crise industrial que a Galiza atravessa».

«Estas comarcas não podem continuar nesta situação de morrer aos poucos. O governo estatal e a Xunta têm que actuar», afirmou Grandal, que sublinhou a dependência económica que Ferrol tem do sector naval, embora «os estaleiros estejam neste momento sem nenhuma carga de trabalho».

Em Ferrol, os trabalhadores exigiram «soluções» aos governos espanhol e galego / cig.gal

O secretário da CIG-Ferrol referiu-se ainda às consequências do processo de transição energética na comarca, tendo afirmado, a propósito da decisão de encerramento de uma central térmica pela Endesa, que «a transição energética tem de ser justa» e não tornar-se uma «nova reconversão para estas comarcas, com a destruição de postos de trabalho e mais pobreza».

Ao intervir, Grandal destacou a agudização da pobreza na comarca, bem como a falta de oportunidades para os jovens, «que se reflecte nos índices demográficos». Como exemplo, referiu que, este ano, se registaram em Ferrol menos cem crianças com idades inferiores a três anos, por comparação com o ano anterior.

Sublinhou igualmente o «fracasso» das políticas e dos programas executados nas últimas décadas, tendo afirmado que «a indústria em Ferrol se perdeu» e que a deslocalização de empresas foi ali muito mais «escandalosa» que noutras zonas do país. «Não precisamos de mais políticas para atrair especuladores do dinheiro, mas, sim, de assentar tecido produtivo duradouro e que gere emprego estável e com direitos», afirmou.

Jornada de luta numa data particular

A manifestação em que milhares de pessoas exigiram «soluções» para as comarcas de Ferrolterra terminou com a deposição de flores junto ao monumento do 10 de Março, que evoca a luta da classe operária galega e o assassinato pela Polícia franquista, em 1972, de dois trabalhadores da Bazán que se manifestavam precisamente em Ferrol: Daniel Niebla e Amador Rey.

10 de Março é Dia da Classe Operária Galega, assinalando o assassinato, em 1972, pela Polícia franquista, de dois trabalhadores em luta / cig.gal

O secretário-geral da CIG, Paulo Carril, que participou no piquete da manhã e na manifestação, salientou que a greve teve lugar numa data particular para o movimento operário galego, especialmente em Ferrol.

Carril afirmou a necessidade de dar resposta à «situação crítica» que se vive em Ferrolterra e que ilustra «a grave crise» na Galiza. Uma crise que já existia antes da pandemia e que tem nas comarcas do Norte da Galiza «o epicentro da necessidade de reclamar políticas alternativas para exigir uma saída galega justa da crise» e de «pôr em marcha de imediato um plano galego de industrialização», que «ponha fim à emigração e à emergência social e laboral», frisou.

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